Vontade e vergonha

Colunistas

Por: Luiz Carlos Prates

sexta-feira, 04:00 - 19/02/2016

Luiz Carlos Prates
Todos os sonhos humanos são realizáveis, ainda que alguns sejam muito difíceis, quase impossíveis. Mas você sabe que o “quase” está do lado de cá no muro dos possíveis. Aliás, não faria sentido carregarmos sonhos impossíveis, nem no hospício há quem deseje o impossível. Nossos sonhos resultam de certezas que intuímos possíveis, ainda que, insisto, possam ser muito difíceis. Aquela história do – “Se tu podes crer, tudo é possível ao que crê”, chegou-me às últimas horas em forma de notícia. Uma bela e motivadora notícia. Antes de falar da notícia, devo repetir que sou completamente contra qualquer tipo de “cota”, qualquer. Se a pessoa funciona bem, se a cabeça gira dentro dos devidos parafusos, que vá à luta e tente conquistar o que lhe é possível... Fiquei sabendo que no último vestibular da Unicamp – Universidade de Campinas – das melhores da América Latina, 88% dos aprovados para o curso de Medicina vieram de escolas públicas. Santo Deus, que notícia magnífica! Essa informação acaba com aquela história estúpida de que só passam nos vestibulares mais concorridos os estudantes de escolas particulares, os riquinhos... Negativo. É aprovado o jovem que tem vontade e vergonha na cara. Que os pais digam isso aos filhos, agora que se inicia o ano letivo. Sem essa de inventarem desculpas para a vadiagem. É voltar das aulas e cair sobre os livros em casa. Quem fizer isso ao longo do ano passa antecipadamente de ano na escola, e mais tarde vai galopar na aprovação no vestibular. Tudo o mais é vadiagem e desculpa. Medicina, porque é o vestibular mais concorrido, é o mais difícil de o sujeito passar. Mas os das escolas públicas deram um baile, passaram por maioria, quase totalidade. Que jovens formidáveis a desmentir os embusteiros que dizem que para alguém ser gente tem que estudar em “bons colégios”, querendo dizer colégios caros. Se o sujeito tiver vergonha na cara e vontade de estudar passará em qualquer prova. O mais é tudo conversa. E é claro que o discurso é mais enfático para os vagabundos que se atiram na desculpa de serem pobres e por isso não terem chances, viverem de mão estendida pedindo favores. Mais uma vez – na Unicamp - a prova e a certeza: o aluno faz o colégio.

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