Difícil fechar a conta com a felicidade. A “menina” é muito inquieta, escapa fácil dos nossos braços, mas... O diacho é que muitas vezes ela está conosco e não a vemos, é a nossa refinada estupidez. E tanto é verdade que um dia Ataulfo Alves, sambista histórico, cantou que – “Eu era feliz e não sabia”. Muito comum sermos felizes e não sabermos.

Ontem ainda, um amigo, ajeitando as calças para cima, fez uma velha frase, frase que resumia sua corrida atrás de recursos para uma vida sem maiores sobressaltos, ele disse que gostaria de ter “cama, comida e roupa lavada” garantidas, uma antiga expressão de conforto.

Essa frase, cama, comida e roupa lavada, sempre quis dizer as garantidas de que mais necessitamos para ter paz, porém... Não vejo assim essa frase, vejo-a como um passo para o inferno na vida.

Veja bem, os encarcerados, os presidiários, têm cama, comida e roupa lavada garantidas, mas... estão presos. Claro que estou forçando a barra, mas não tanto. Costumeiramente a vida nos dá essa riqueza da “cama, comida e roupa lavada” e não a vemos. Ficamos a suspirar por mais, bem mais, afinal, cama, comida e roupa lavada são sinônimo de mínimo... Não são. São símbolos do conforto de que precisamos para a felicidade.

O diacho, já disse isso miríade de vezes aqui, o diacho é que sempre suspiramos pela felicidade diante do que “ainda” não temos, no momento da conquista, pronto, lá se vai ela, a felicidade, já estamos a suspirar por outro desejo.

Sim, eu sei, a leitora tem razão, está é uma psicologia de almanaque de farmácia, mas... A vida não passa de uma psicologia barata, de tal sorte que só os simples conseguem ser felizes. Muita visão, como sinônimo de imaginar a felicidade apenas nas farturas, é das mais comuns e rematadas tontices humanas.

Aliás, vem dessa verdade o mantra budista da gratidão. Temos que ser gratos à nossa cama, à nossa comida e à nossa (simbólica) roupa lavada. Mas não, estamos sempre insatisfeitos e a suspirar por mais ou por diferentes camas, comidas e roupas lavadas. Ataulfo Alves tinha razão, não raro, somos felizes e não sabemos. Ficaremos sabendo quando a cama, a comida e a roupa lavada nos forem tiradas. E aí, cantaremos: - Eu era feliz e não sabia.

Vaidade

Ouça esta manchete: - “Golpe da foto – mais 11 idosas informam que foram vítimas em Porto Alegre”. Em resumo, um fotógrafo jovem, simpático, aproximava-se de mulheres acima dos 70 anos e a elas ofereciam um book especial de fotos. Elas aceitavam. Depois, viam as fotos, “retocadas”, fotos com “filtro”, e se viam lindas, bem mais jovens. Caíram na conversa do fotógrafo e deram a ele muito dinheiro, coagidas, mas deram... Santo Deus, o que a vaidade não faz...

Alerta

Não adianta alertar, o poder econômico anula os alertas. O Programa Nacional de Toxicologia dos Estados Unidos manda-nos dizer que – “Estudo vê sinal de vínculo entre radiação dos celulares e câncer”. Esse alerta já tem alguns anos, mas... é sistematicamente desmentido pelos fabricantes do veneno. Usar o celular apenas como telefone não tem riscos, o diacho é o celular o dia todo diante dos olhos ou colado nos ouvidos. Paciência, quem semeia, colhe.

Falta dizer

Piadinha. Será mesmo uma piadinha? Duas velhinhas estão almoçando num hotel-fazenda e uma delas diz: - A comida aqui é horrorosa! E a outra completa: - É verdade, as porções são muito pequenas! É assim que nos comportamos na vida, os “pratos” são os mesmos, nossas reações é que são felizes ou infelizes.