Todos sabemos do que temos que fazer, todos sabemos que não há futuro, futuro é uma invenção da mente. Todos sabemos do que temos que fazer, mas não fazemos, não hoje, pelo menos.

Estupidez pura, nata e hereditária do ser humano. Sabemos que não existe futuro, mas teimamos em esperar por ele, esquecendo que estamos neste momento vivendo o futuro... Sim, o hoje outra coisa não é senão o futuro de ontem. E só o que existe é o ontem (será mesmo?) e o hoje...

Essa confusão que fazemos em relação ao hipotético, imaginário e nunca alcançado futuro, tem um outro viés, um viés como a nossa cara. O viés é o deixarmos para o “futuro” o melhor da nossa vida, vivemos adiando a vida para “amanhã”.

É a tal história do - Ah, quando eu tiver a minha casa própria! Ah, quando eu ganhar mais, quando eu me formar, quando eu me casar, quando eu for de muda para São Paulo, quando meus filhos forem de maior idade, quando, quando, quando... E vamos empurrando a vida para o futuro. Todos somos assim, nem mesmo aqueles iogues indianos que dizem – mentindo – viverem num plano especial, vivem o hoje como deviam. Ninguém, nem o Papa.

Claro que muito dessa estupidez de deixar a vida para o futuro tem raízes em religiões; aquelas bobagens de vida eterna, céu, prêmio “futuro” aos bem-comportados, aquelas indigestas mentiras que nos “assustaram” na infância e que nos assustam até hoje. Muito melhor seria seguirmos o preceito romano do Carpem Diem, viva o hoje.

Ocorre que essa pregação do – viva o hoje – é confundido por muitos como irresponsabilidade, precisamos, segundo esses, nos preocupar com o futuro e nos prepararmos para ele. Coitados dos tapados. Viver o hoje não significa dar de ombros para o amanhã, significa viver competentemente o hoje. Quem fizer isso vai ter um belo “amanhã”. As pessoas vivem se prometendo que “amanhã” vão começar alguma coisa, mas como não existe amanhã, os tipos não cuidam do hoje e assim não terão “amanhã”.

Vida não se transfere, não existe amanhã, leitora, não fique esperando que o tipo amuado que lhe anda incomodando a vida melhore “amanhã”. Não haverá amanhã, nem ele vai melhorar. Não perca mais tempo. Cuide do seu hoje.

Moscas

Gostos de historinhas. Elas nos fazem pensar. Vamos lá. Duas mosquinhas voavam sobre uma panela cheia de leite, voaram, voaram e caíram dentro da panela. Uma mosquinha caiu e começou a se afogar, maldizia a vida, não se via em condições de sair do leite, entregou-se e morreu. Já a outra mosquinha não falava, nadava, lutava, nadava, nadava, nadava... Nadou tanto que o leite acabou virando manteiga e a mosquinha saiu da panela caminhando sobre a “manteiga”. Maioria dos humanos são do primeiro tipo de mosquinha...

Voz

Não sei que idade você tem, mas... cuidado. À medida que envelhecemos, a voz vai mudando. Mas a pior mudança vem das pessoas que começam a falar como velhas. Um horror. E não é pela idade, é pelo arrastão humano que vai levando essas pessoas mais cedo à decrepitude. Geralmente, foram pessoas vazias, sem conteúdos nem entusiasmos. A voz tem a idade do espírito.

Falta dizer

Muita gente se deixa levar pelo credo no “determinismo”, ditames da Natureza ou dos genes. Mais ou menos, destino. Quem acredita nisso é uma pessoa frouxa. Melhor é “fechar os olhos”, não olhar para os lados e lutar pelo “destino” que queremos. Podemos não vencer, mas venceremos o tédio em que vivem os frouxos da luta.