Se quisermos, vamos achar, e achamos, explicação para tudo. E mais ainda para os nossos defeitos e “quedas”, bah, é facílimo explicar nossos desvios de conduta. Acabei de ler um “professor” falando sobre a tendência brasileira à corrupção. Tendência? Sim, é o que vivo dizendo, tendência, e essa tendência vem desde os tempos das antipáticas caravelas de Cabral, que não tinham que ter dado com os costados por aqui, e deram. Ali começou tudo e nem vou explicar, não é conveniente agora... O professor disse que são necessárias três condições para que um sujeito se torne corrupto. Discordo. Ele disse que diante de uma necessidade, de uma oportunidade e de uma racionalização, a pessoa mete a mão, pega o que não lhe pertence. Discordo gravemente. Dizer isso e assim, é o mesmo que dizer que “a ocasião faz o ladrão”. Você sabe que não. A ocasião revela o ladrão, o ladrão estava lá, enrustido, a espera de um bom momento para meter a mão. Uma pessoa saudável, moralmente asseada, não pega o que não pertence mesmo que esteja no meio do mato, sem câmeras nem testemunhas, sem riscos, enfim. Não pega. E no Brasil temos, além das instâncias que abrem a porta para a corrupção, as tais – necessidade, oportunidade e racionalização, temos ainda a “quase” certeza da impunidade. Bah, é uma MegaSena ao inverso, fácil de acertar: roubou, sai inteiro... Ah, quase esquecia, e o que vem a ser a tal de racionalização? É a explicação que o sujeito dá a si mesmo para fazer o que faz. Ele acha argumentos que plenamente o justificam no fazer o que se dispõe a fazer e faz... E tem saída para essa “tendência” brasileira à corrupção? Claro que tem: a revolução cultural, a revolução dos costumes, que começa com a educação das crianças dentro de casa. E mais tarde, com a dura e incondicional aplicação da lei penal a quem saiu dos trilhos. Mas reconheço, começando hoje essa “revolução”, vamos precisar de no mínimo duas décadas para que surjam os primeiros sinais de melhora. Que tal? Sim, mas quem seriam os líderes dessa “revolução”? Os bons andam escondidos, caminhando com muita prudência, se fizerem barulho serão atacados, ora já se viu, gente boa andando solta por aí, ora já se viu... Ela Foi no Parque da Redenção em Porto Alegre. Uma jovem mulher passeava com duas outras. Ela tinha um coque sobre a cabeça e uma fita. Ah, a fita. Ela ficou lindíssima como mulher, a fita deu a ela um toque nem sei de quê nem de que tempos. Mas que ela ficou linda, ah, ficou. Falta dizer Ah, o povo, os enrustidos. Em Gramado, RS, uma empresa de chocolates montou um “corruptômetro” na calçada da loja. Funcionava assim: chocolates eram colocados à disposição do público, o sujeito chegava, pegava um chocolate e deixava R$ 2 numa urna ao lado. Era um teste de honestidade e uma propaganda para a empresa. Só que não... Só numa tarde, 39% dos clientes “esqueceram” dos dois reais. Coitadinhos, que desatenção, devem sofrer de Déficit de Atenção e Hiperatividade para o roubo...