Aprendi na infância que quando queremos diminuir ou ofender alguém que chamemos a pessoa de “pobre-bicho”, ele ou ela… – Ela é uma pobre-bicho! Ou – Ele não passa de um pobre-bicho! Uma ofensa, uma redução da pessoa ao nada ou a quase nada.

Ontem li uma manchete num canto de jornal que me fez pensar na nossa condição de pobres-bichos. A manchete dizia assim – “Cientistas americanos descobrem poeira estelar de 9 bilhões de anos”.

Será que algum “pobre-bicho” teria ideia do que isso significa, 9 bilhões de anos? Somos uns nadas na poeira cósmica, uns pobres-bichos de alguns anos de vida, sem passado nem futuro, vindos do nada e indo para o nunca mais da eternidade. É por essa consciência que fazemos o circo que fazemos para parecermos alguma coisa.

Já falei das mulheres que posam com vestidos de marca ou bolsas de grife, tudo com preços lá em cima, fora de chance para a maioria dos “pobres-bichos”.

Claro, entendo, por trás das postagens das fotos das levianas há empresas produtoras e marketing de mercado, tudo bem, entende-se, mas… Os “pobres-bichos” da vida pensam que por terem poder de compra são melhores que os outros, não são; mais das vezes, são encrencados da cabeça, estonteados, legitimamente pobres-bichos.

Faz pouco, li sobre um sujeito num site de jornalismo dizendo que não basta viajar na primeira classe num vôo internacional, é preciso postar, fazer as imagens correr pelas redes sociais, os amigos precisam ver e saber... Pobres-diabos.

Não são as grifes, os modelos, os nomes de família (haja vista os idiotas da família real) nem o dinheiro farto nas contas bancárias que nos fazem menos “pobres-bichos”. O que nos pode tornar melhores, seres humanos diferentes, é uma cabeça simples, o que não significa vazia, rameira pelos condicionamentos e adesões sociais.

Uma cabeça em paz, distanciada dos berros e das loucuras da maioria, uma cabeça desapegada, um caráter limpo e bem-intencionando, isso sim pode nos dar uma vida menos “pobre-bicho”, menos...

Fiquei pensando na poeira estelar de 9 bilhões de anos... Essa poeira um dia brilhou, e nós? Quando brilhamos?

O diacho é que queremos brilhar pelos conceitos da maioria dominante, mas essa, pobre-bicho, é uma manada que caminha para o nada, sem deixar poeira e muito menos brilhante. Viver? O aqui e agora, sem crenças vãs e praticando o bem. – Ah sei, isso não rende postagens.

Crenças

Dia destes ficamos sabendo que um menino de cinco anos caiu de um sexto andar em São Paulo e morreu. Foi um acidente, janela com defeito num apartamento, essas coisas...

Mas fiquei matutando: onde andava o Anjo-da-guarda do menino? E o deus amoroso e justo? Que pecado podia ter cometido aquele gurizinho? Quem puder responder sem credos vãos, por favor, o faça. Nada me vai explicar senão as leis da própria vida, essa vida sem antes nem depois...

Prática

Segundo alguns maquiavelistas, quando você vai disputar uma eleição e vencer, leve junto para o início do governo um grande nome, uma unanimidade com o povo, mas... Depois de um tempo, “queime” essa pessoa, tire-a de perto de você. Essa figura vai toldar o seu solzinho de nada... Uma indireta que faço.

Falta dizer

Alguns caras parecem que bebem, andei lendo sobre um projeto, um plano para Garantir Emprego. Isso nunca existiu nem vai existir. Não se garante emprego por nenhuma razão, salvo por concursos para os pífios que em nada se garantem. No mais, emprego se “garante” por qualificação continuada, competência e ética... E ainda assim, a garantia é fantasiosa. Emprego é momento.

 

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