Muito fácil, bah, facílimo... da boca para fora. Acabei de ler uma revista inteira sobre estresse – deve ser a milésima... E nessa revista (Mentecérebro) a certa altura apareceu este conselho: - “Uma forma inteligente de lidar com situações estressantes do cotidiano é não dar a elas importância maior do que têm de fato, lembrando-se de que essas circunstâncias não duram para sempre”... Maravilha, facílimo escapar do estresse, não lhe parece? Uma ova. Se fosse assim tão fácil as pessoas não andariam por aí enfartando e morrendo, sim, porque o estresse mata. Mata aos poucos, vai debilitando funções e alterando a bioquímica do corpo, mata sim... Mas o que me importa nesta conversa com você, é dizer que o que nos estressa não passa, mais das vezes, de uma refinada estupidez. Há duas tipos de estresse: o que podemos enfrentar e anular e o que não podemos mudar. Fácil, não é? Fácil coisa nenhuma. Uma bobagem que me faça sobressaltado, ainda que minha razão me diga que é uma bobagem, não me basta para sossegar o pito e ficar tranquilo. O que me estressa me estressa porque empresto a esse estímulo, fato, pensamento, o que seja, uma importância que não vem da coisa em si mesma, mas de mim como percebedor. Nada, absolutamente nada, grosso modo, nos pode tirar do sério sem que concordemos. Estou cansado de dizer que o estresse resulta de uma percepção pessoal, isto é, o modo como a pessoa percebe o fato e a ele reage, aí está a possibilidade do estresse. Vale repetir, o estresse é o que mais mata pessoas pelo mundo. A impressão, todavia, é que não, que não é assim, mas é... E quanto a dizer que o que nos estressa cedo ou tarde passará, sim, passará, mas isso vale para a vida em si mesma. Todos vão morrer, ora bolas, cedo ou tarde tudo acaba para todos. A melhor maneira de diminuir o estresse é o velho princípio budista do “desapegar-se”, não dar bola para quase nada. Eu não consigo. O Dalai-Lama perde os cadernos todos os dias, claro que perde, ele é humano. Para escapar do estresse, que é um medo, estresse é sempre medo, só há uma saída morrer. Serve?

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