Ninguém gosta de ouvir: “A culpa é tua!” Ninguém. Mesmo que o sujeito saiba que a culpa é toda dele ou dela, não gosta de ouvir. Mas é aquela velha história, se você está com o estômago embrulhado, pesado, dando voltas, não vai tomar água de coco para aliviar, vai? Vai, isso sim, tomar um bom chá de boldo, amargo. Ninguém toma chá de boldo por prazer. Mas você sabe que o remédio amargo tem boa fama, tanto quanto a verdade. Quando nos responsabilizam com uma verdade circunstancialmente desagradável nos sentimos mal. Porque a verdade, dizia Machado de Assis, é um remédio muito amargo, mas é o único que nos confere saúde moral, melhor é “toma-lo” sem fazer careta. Pronto, já dei as voltas de que precisava, agora vou entrar no assunto. E o assunto é a pobreza, ser pobre. Já ouvi muita gente creditar a pobreza ao destino: “Ah, Deus não quis, Deus não quer...” Tolices desse tipo. Deus não tem nada a ver com o nosso saldo bancário, mas o nosso livre-arbítrio tem, ah, se tem! Se eu lhe dissesse agora que você (num caso hipotético) é pobre porque quer, talvez você me mandasse longe... Mas é a mais santa das verdades. Ou você nunca ouviu dizer que: “Aqueles que permanecem na pobreza raramente se convencem de que a sua situação é uma consequência lógica dos seus próprios atos”. E eu acrescento: será que você já não ouviu falar que de acordo com a semeadura há de ser a colheita? Bolas, não plantou, não vai colher. Simples. E ainda dá para dizer que a consciência da pobreza se forma pelo hábito de pensarmos em pobreza. Afinal, ninguém colhe na vida diferente do modo de pensar. Aliás, essa pobreza de que falo, a do saldo bancário, bem que pode ser a do jovem no colégio. Não estudaste, compadre, não vais passar, não terás boas notas. Sem desculpas. Dizer que a culpa é da professora ou do destino é coisa de vadio. Ademais, pobreza (ou boas notas na escola) é circunstância, desafio, jamais sentença condenatória da vida, do destino. Quem sabe disso e pensa positivo não vai morrer na miséria, ah, não vai. E por miséria entendamos uma mente “pobre”, a pior de todas as pobrezas. Estás sem “nada”? Levanta-te e anda, como dizia o Mestre. Anda para o suor do trabalho, para a água benta da testa, e vais conhecer o milagre da superação. Brega? Também acho, mas diga isso aos ricos...

LEIA A COLUNA COMPLETA NA VERSÃO DIGITAL DO JORNAL O CORREIO DO POVO