Vou começar esta nossa conversa com uma citação que retirei de uma entrevista da Glorinha Kalil, a Glorinha, você sabe, é uma carioca especialista em moda. Simpática, não é chata, não se acha e tem sempre boas frases. A frase da Glorinha para a nossa conversar, leitora, leitor, é esta: - “Chique é uma pessoa que se apresenta bem, mas que tem um conteúdo igualmente cuidado, igualmente refinado, sofisticado, como a gente faz com a aparência”. Notaste, leitora?

Glória enfatizou tanto, ou mais, a beleza, a elegância interna quanto à externa. E aí, ela lacrou. Costumo dizer que todos nós temos uma multidão dentro de nós, nosso jeito de ser resultou de incontáveis pessoas que nos cruzaram o caminho enquanto éramos pequenos, “esponjas” humanas, o que nos chegava absorvíamos. Mas se você achar que exagero, tudo bem, vou dar um desconto: somos dois, deixemos a “multidão” do lado de fora. Todos nós somos duas pessoas, sempre: a de fora e a de dentro. E jamais houve um casamento de acertos entre o que somos por fora e o que somos por dentro, a leitora e o leitor sabem bem disso.

Quantas pessoas já nos impressionaram os sentidos de longe, mas... ao chegar perto o bolo desandou? Pessoas bonitas por fora, mas quando abrem a boca revelam-se sem graça, sem conteúdos, sem educação, grosseiras mesmo..., quantas já nos pregaram essa peça?

O que mais vemos por aí são pessoas com produtos de grifes caras, carros que valem fortunas, ostentações de toda sorte, mas que quando agem, falam, se relacionam com estranhos ou amigos e colegas deixam-se revelar... são produtos humanos de camelódromos. Por fora, bah, exibicionismos caros e enganosos.

Esse diacho de sermos duas pessoas precisa nos fazer acender a luz da consciência, se somos de um jeito por dentro e falsificamos o produto por fora, cuidemo-nos, é preciso que o divórcio entre o que somos por fora e o que somos por dentro nos leve a mínimos aborrecimentos e a melhores momentos.

Muito difícil o fechar dessa conta. Do que mais as pessoas cuidam é da falsa elegância por fora, quando elegância, na verdade, é produto interno bruto de todos nós... Que o nosso PIB apareça com o que temos de melhor: educação e bons modos, aí sim, aí estará a verdadeira elegância, o ser chique sem fraudes.

Sujos

Era um bar de praia, muita gente chegando para uma bebida, um petisco, essas coisas, e... O cara que atendia vestia uma camiseta regata, molambenta, cabelão solto, sujo, por certo. E ninguém dizia nada, o povo merece mesmo comer sujeira.

Como é que um sujeito vai para detrás de um balcão malvestido, sujo? Negócio que envolva comida, bebida, aliás, que envolva qualquer produto, exige dos atendentes aspecto limpo e roupas limpíssimas. Estamos entendidos, sujos?

Pergunta

Gostaria de saber desses cantores sem voz, sem talento, sem graça, sem nada, mas esquerdistas ardentes, por que eles cobram cachês para cantar mesmo que seja em cidades pequenas, de gente pobre? Não são tão socialistas como dizem? Ou comunistas, fica melhor. Engraçado, detonam contra o capitalismo, mas querem Lei Rouanet e ganhos cachês altos... Safados.

Falta dizer

Uma pessoa sem sonhos é uma pessoa sem futuro, só tem passado. E quem só tem passado está morto/a em vida. E, aliás, não viverá mesmo por muito tempo. Não sou eu a dizer, é a Psicologia dos Tempos. E sem essa de “estou muito velho”, os bons sonhos são adaptáveis a todas as idades. Sem desculpas.