“Se queres paz, prepara-te para a guerra”. Abri um livro e caiu-me sobre o colo essa frase. Numa pequenina tira de papel, a sentença latina: - “Si vis pacem para bellum”. Frase milenar, mas atualíssima. – “Se queres a paz, prepara-te para a guerra”. Frase de soldados, de guerreiros, frase para todos nós.

O diacho é que queremos a paz na vida, mas nada ou muito pouco fazemos por ela. Antes de tudo, faz bem lembrar que há dois tipos de surpresa ou de novidade na vida: a boa e a má. Claro, sempre vamos querer o melhor, mas... uma boa novidade ou uma boa surpresa não é tão comum assim, sabemos disso. Bem mais comum é a encrenca, o que não queremos e que acaba nos batendo à porta. Vamos ao assunto, chega de lero-lero.

Se queres a paz – na tua vida futura – prepara-te para a guerra. E o que seria a “guerra” na nossa vida futura? As dificuldades da velhice, todas, de toda sorte. Uma dessas dificuldades é a mais comum, a falta de recursos, de dinheiro para as múltiplas necessidades da vida.

Já contei aqui que sempre que estou com jovens pergunto a eles: tens poupança? Muitos reviram os olhos – “Ah, Prates, sou muito novo, vou fazer 30 anos...”. Dia destes, um outro me disse que “ainda” não tem Plano B no trabalho nem poupança no banco, e já tem 42 anos. E sempre que crio esta saia-justa para os meus jovens amigos, lembro de Waren Buffet, o americano que é um dos três homens mais ricos do mundo. Buffet diz que começou tarde a poupar e a investir, aos 11 anos. Ele lamenta, diz na biografia dele que a idade certa teria sido aos 9 anos... Bah, vá dizer isso aos babacões que andam por aí, aos marombadinhos da mamãe ou às sirigaitas de escada rolante de shoppings, vá...

Se queres a paz na velhice, prepara-te agora. É bom não esperar por uma surpresa ou por uma novidade, boas surpresas e boas novidades na velhice, quando acontecem, foram “programadas” bem antes...

E aquela frase abobada, aquela do – quem espera sempre alcança – é coisa de vacilão da vida, de mandriões acomodados. E para terminar, bom é não é viver uma vida de ansiedades, desconfiando de tudo, sempre esperando o pior, bom é preparar-se, afinal, o seguro morreu de velho...

Vida

Uma pesquisa de jornal em São Paulo faz-nos saber que 27% de brasileiros pesquisados dizem querer para este ano melhor qualidade de vida. – Ah, que bonito isso, então, vão ler mais, irão mais ao teatro, ouvirão música orquestrada, serão educados em casa, no trabalho, vão, enfim, descobrir coisas interessantes para fazer. Vão abandonar os barulhos, os fuxicos, a falta de ética, os Netflix, as bobagens que até hoje fizeram em suas vidas. Que bom.

 Cores

Ouço muitas pessoas dizerem que é baita bobagem essa história de roupinha azul ou rosa para meninos e meninas. Gente virtuosa, esses gajos! O estranho é que as lojistas dizem que nunca viram um único pai ir à loja e pedir uma blusinha cor-de-rosa para o garotinho dele recém-nascido. Nunca viram. Curioso isso, abobados da enchente!

Falta dizer

Quase 80% dos brasileiros ouvidos em pesquisa de jornal paulista disseram que pretendem mudar de emprego tão logo quanto possível. Bah, então, quase 80% dos que trabalham no Brasil rangem dentes no trabalho? Pobres empregadores, pobres clientes. Ninguém é obrigado a fazer o que faz, mas os mandriões não querem fazer nada, querem só salário. Rua, rua!