Foto Divulgação
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Sim, era uma vez uma noite quente e muito agradável para mim, lá longe. Em Belém, PA. Antes de contar dessa história, preciso relembrar de uma frase antológica: - “Fala, se queres que te conheça”.

Essa frase vem dos tempos imemoriais da condição humana, imortalizada por Baltazar Grácian, padre espanhol (1600...), no livro A Arte da Prudência. Os psicólogos fazem muito uso dessa frase. Ouço entrevistas todos os dias, no rádio e nas tevês. E esse – Fala, se queres que te conheça – é um arrasa quarteirão.

A maioria dos entrevistados é um horror, muitíssimos são pessoas cheias de títulos, metidas a sebo, mas que quando abrem a boca saiamos de perto. Não, não vou falar das biscas de Brasília que poderiam entrar nessa história.

Não é de hoje que os metidos quando abrem a boca não passam de medíocres. Por quê? Vocabulário pobre, pessoas sem criatividade nem autoridade na assertividade indispensável que devemos ter em nossas afirmações. Maioria, já disse.

A tal noite do “era uma vez” foi em Belém. Fui fazer uma palestra para vendedores e depois da palestra fomos para a casa de um deles. Uma celebração caseira inesquecível.

Eu ia pegar o avião às 3h da manhã e quase até essa hora foi uma formidável roda de conversas. E nessa roda havia um velho seringueiro, um homem sem escola e que viveu até então no meio da selva amazônica.

Sem instrução formal, com vocabulário próprio e sem roteiro de normas gramaticais, porém... cativante. Contava histórias da selva vividas por ele com uma graça, com um entusiasmo, com a criatividade dos melhores atores da palavra.

Para um ensaboado do asfalto, como eu, a fala do velho seringueiro era como que um filme de ficção, um encanto. Esse sujeito, sem títulos, prendia a atenção. Por quê? Falava com naturalidade, com a segurança de suas vivências, não ficava a esperar admirações, falava com suas vísceras.

Quem falar assim será ouvido, apreciado, aplaudido. Ninguém vai prestar atenção em pormenores quando falamos de nossas essências com o entusiasmo da verdade do que foi vivido.

Já os abobados que se acham fazem rodeios e buscam elevações “doutorais”, sem graça nem entusiasmo. Inesquecível e bela lição, velho seringueiro!

Psicologia

Fui admirador do falecido médico cardiologista pernambucano Marco Aurélio Dias da Silva, autor do livro “Quem Ama não Adoece”. Psicologia pura.

Ele dizia que o que mais cura não é o remédio, mas a mão que dá o remédio... Ele se referia aos médicos. Saber ouvir, não ter pressa na consulta, ser “psicólogo” e amigo é o melhor remédio. Que pena que sejam tão poucos esses médicos. Raríssimos.

Amor

A mensagem do livro “Quem Ama não Adoece” não passa pela área do amor físico por alguém, nada disso. Trata-se do amor por alguma virtude, trabalho, arte, o que for que nos faça bater mais forte o coração.

A maioria anda sem amor por nada na vida. Amar distrai, faz-nos pensar num bem, e isso passa para o corpo físico como saúde. Mas nunca como hoje as pessoas andaram tão vazias. Vem daí a floresta de doenças mentais.

Falta dizer

Leitora, fique atenta. Converse com as filhas, com as gurias, crianças e adolescentes. Dizer a elas, desde cedinho na vida, que quem manda na vida delas são elas e, mais que tudo, quem arbitra sobre o corpo delas são elas.

Sem essa de abobados “da corte” erguerem o focinho para decidir sobre o que as mulheres podem e não podem fazer em seus corpos. Fanados...

 

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