Tudo pode ser e tudo pode não ser. Quem levar tudo à ponta de faca vai se dar mal na maior parte do tempo. Nem tudo que reluz é ouro, não é assim que diz o ditado? E esse ditado não veio do nada, veio da arguta sabedoria popular.

Digo o que digo, leitora, porque um colega me contou, sem-graça, que entrou numa fria. Ele crê que entrou numa fria. Contou-me que passou por uma colega nos corredores da empresa, colega nova para ele, e, sorrindo, disse a ela: - “Ô, garota, tu bem que podias ser modelo”! Não disse mais nada. Agora eu pergunto à leitora:

- Que leitura, leitora, tu fazes dessa frase? Como não consigo ouvir a tua resposta, vou arriscando por aqui. A primeira hipótese: o sujeito achou a garota, a colega, muito bonita, tão bonita ao ponto de lembrá-la para modelo. Tu sabes que as modelos não podem ser um “bicho”, precisam ser ajeitadinhas, no mínimo.

A outra leitura, afinal, tudo pode ser e tudo pode não ser, é que o sujeito, o homem da história, tenha insinuado um “assédio”. Será? Não creio.

Tudo está muito chato, chatíssimo. Tudo o que é dito ou feito está sendo interpretado por múltiplas cabeças e de múltiplos modos, todos, quase sempre, pelo viés errado. Tudo pode ser, tudo pode não ser, depende da cabeça de cada um. Afinal, sabemos que nossas percepções e reações são moldadas por nossas vivências ao longo da vida.

- Ah, esquecia de dizer, o meu amigo, o educado que disse que a colega podia modelo, murchou. Enfiou a viola no saco e emburrou. Passa pela garota, nem tão garota assim, e faz que não a vê, não crer encrenca. Que diachos, você faz uma frase elevada, um elogio, e a outra parte toma o bonde errado...

Pois é, leitora, leitor, tudo está muito chato. Uma miserável piada que você conta pode levá-lo para o inferno, não vai faltar um tosco para dizer que é preconceito, que há segundas intenções na piada, isso e aquilo. Chegamos ao ponto de não arriscar em mais nada e assim nos tornamos sem-graça, tomados por mal-humorados, antissociais. Preferível. Mas que ela bem que podia ser modelo, ah, podia... Vi uma foto.

Boca

O peixe morre pela boca? Os humanos também. Ouço alguém dizer: - “Amanhã tem churrasco na casa do meu avô, legal”! – Legal coisa nenhuma. Ouça esta: - “Composto cancerígeno do churrasco é absorvido pela pele”. Não é o respirar da fumaça que mais nos dana a saúde, é a absorção pela pele dos compostos cancerígenos do churrasco. E essa absorção produz câncer de pele, mama, bexiga, fígado e próstata. Quem discordar que discuta com o pessoal da revista científica Environmental Science & Technology, dos EUA. Arriscas um churrasquinho?

Ferro

É isso mesmo, ferro nos vadios, nos mandriões. Ouça esta outra manchete: - “Educação profissional gera pouco interesse”. São cursos profissionalizantes oferecidos “de graça”, mais das vezes, e nem assim os marginais do trabalho aceitam a oferta. Depois se queixam dos governos. Ferro e relho...

Falta dizer

Você sabia que em muitas empresas, Florianópolis sabe bem disso, quando há dois candidatos disputando uma vaga, um da cidade e outro de fora, a possibilidade maior é para o de fora? As empresas entendem que os de fora têm mais pique, mais garra, precisam mais... Discutível, mas eu também decidiria assim; na dúvida, melhor não arriscar: ao de fora a vaga.