É mais fácil dizer do que fazer. Quem já não ouviu essa frase? Uma sabedoria milenar que em poucas palavras nos faz pensar na farsa que somos, os humanos. Uma sonora farsa. E nós sabemos disso, ô, se sabemos, basta fechar a porta do quarto antes de ir para a cama. Ali, sozinhos, sem as roupas das farsas do cotidiano, nós vemos quem somos: uns nus existenciais. Farsantes de nós mesmos.

– “Ui, Prates, credo, que pessimismo, logo tu que vives pregando o Evangelho de Marcos, aquele do capítulo 9, versículo 23, - “Se tu podes crer, tudo é possível ao que crê...”. Pois é, leitora, mas eu estava relendo há pouco trechos de uma mulher a quem eu muito admirava, mulher jovem, chegando aos 50 anos, mas... Que morreu logo depois, e morreu de causas nada “naturais”, nada... Mais não digo.

Essa mulher costumava perguntar sobre as ideias que nos habitavam: - “Que ideias nos habitam? Essas ideais definem o que somos, o que fazemos, o que alcançamos... E ela acrescentava: -“É preciso alterar padrões de crenças, pois são elas que moldam todo o nosso processo decisório e nos conduzem pela vida...”. Mais ou menos isso. E aí, fico me perguntando por que ela não aplicou essa sabedoria sobre ela mesma? O que ela disse é a mais santa verdade, todavia, é característica do ser humano ter boas ideias na cabeça, mas andar na contramão...

Não fosse assim, os chamados eruditos, os papais sabichões da vida seriam incondicionalmente felizes, não são. Já disse também miríade de vezes que os ricos, os muito ricos, são os mais infelizes que andam por aí, eles “descobriram” que o dinheiro no banco não passa de dinheiro no banco, podem comprar muito ou quase tudo, mas... Não podem fechar a porta do quarto à noite e dormir em paz. E por que não? Eles sabem...

Já pensei muito sobre a mulher inteligente que conheci e admirava, mas nunca podia imaginar que ela fosse “subir” por causas nada naturais... Talvez os minimalistas estejam mesmo com a razão, o bom segredo é viver apenas com o essencial e do mais nos desapegarmos. De que nos adiantam os apegos? Hoje, e de novo, leitora, amanheci com os pés de fora...

VIDA

Quem vive melhor? Creio que os simples, os que se alegram com mais facilidade, com as coisas mais imediatas e “baratas”, exatamente aquelas que costumamos desdenhar e dizer que são coisas de pobres... “Pobres” são os que se acham. O diacho é que as pessoas, nós por maioria, só costumam abrir os olhos para os maiores prazeres da vida, os mais simples, quando já estão com a corda da vida lhes apertando o pescoço... Geralmente, costuma ser tarde...

HORROR

Pesquisa DataFolha – “Mais da metade dos que moram em SP e no Rio quer se mudar”. A DataFolha diz que 8 em cada 10 pessoas temem ser assassinadas; e 9 a cada 10 receiam sofrer assaltos. Quer dizer, São Paulo, com todo o seu bafo, e o Rio de Janeiro, com todas as suas batucadas, são cidades suspiradas por idiotas aqui das nossas “cidadezinhas”. Nada mesmo se compara à ignorância.

FALTA DIZER

Veja se tem cabimento o sujeito morar em São Paulo ou no Rio e ao sair de casa temer ser assassinado, ter medo de bala perdida, medo de ser sequestrado, de ser assaltado em casa, de ser assaltado no semáforo, medo de ser atacado na rua... São os medos principais da pesquisa DataFolha. Jesus, melhor é morar no mato...