Fazia um calor de rachar as torres da igreja, mas... Eu ia feliz. Nada que me pudesse tirar do sério, passos estugados para pegar o carro no estacionamento, centro de Florianópolis. De repente, numa esquina da Felipe Schmidt, nossa rua principal, alguém me estende a mão e me entrega um pequeno folheto. Um comercial? Mais que isso: uma promessa instigante: Pare agora de sofrer! Era folheto de uma taróloga/vidente. “Pare agora de sofrer”! Muito interessante. Então, vamos lá. De onde vêm as nossas infelicidades, os nossos sofrimentos? Vêm dos pensamentos, da cabeça. Sem “conhecimentos”, sem percepções antecipadas de futuro, não há sofrimento, é impossível sofrermos. Ora, se isso é verdade, fica fácil entender que os bichos são muito mais felizes que nós, eles simplesmente se deixam levar pelos instintos, que os fazem sobreviver. Sentem dor, sim, mas é uma dor física sem a significação humana. Eles sentem. Já nós sentimos a dor e a origem dela, de onde ela vem e quem nos a causa. É diferente, sofremos mais que os bichos, e, convenhamos, graças a Deus os bichinhos não têm consciência, não a consciência “aparentemente” clara que temos e que nos faz ver a maldade humana e a nossa estupidez. Nosso modo de pensar, de perceber os estímulos que nos chegam aos sentidos, nos leva ao prazer ou ao sofrimento, muito mais ao sofrimento. Bah, muito mais! O que a taróloga nos oferece, e aí é outra questão, deve ser algum sortilégio, algum “trabalho” que nos promete livrar do sofrimento, mas isso não existe. Para o ser humano parar de sofrer há duas opções: ou parar de pensar, o que não nos é possível, ou mudar o modo de pensar, que talvez seja mais difícil ainda... Ou você vai me dizer que é fácil mudar o modo de pensar, mudar os nossos preceitos e preconceitos? É quase impossível, quase. Mas alguma coisa podemos fazer. E dizer que muitos dos nossos sofrimentos de hoje serão lixos mnemônicos no futuro, quando vamos olhar para trás e dizer a nós mesmos: - Meu Deus, como fui estúpido/a! Mas até que isso aconteça, vamos continuar sofrendo por vivências que nos chegam e chegarão à consciência. Sem esses pensamentos não há sofrimento. Mas como é que alguém nos pode livrar desse inferno com uma magia, hã? Aviso Jovem, dois filhos pequenos segurados nas mãos, uma onda do mar lhes molhando os pés e a manchete: - “Como foi trocar minha carreira pela maternidade”. História de uma jovem mulher, bem encaminhada na vida profissional, que casou, teve filhos e... largou o trabalho, virou “dona-de-casa”. Coitada. Li a história e tive pena dela, não deve ter pai nem mãe. Como é que uma mulher faz uma loucura dessas? E ninguém me venha dizer que ela casou com um cara rico, pior ainda. Coitada, como vai se arrepender, pobrezinha. Corte para quem? Você já ouviu falar de algum deputado com salário atrasado ou sem receber todos os “complementos” a que alegam ter direito? Pois é, mas os policiais e os professores estão na pendura... Querem cortar o salário deles. Justiça Já! Ou...