A história tem alguns anos. Mas ela pode ser usada hoje, amanhã e até o fim dos tempos, ela é intemporal e revela um permanente fascínio.

A tal história está nos meus arquivos temáticos e conta de um mendigo que caiu no Riacho Ipiranga, em Porto Alegre, esse riacho corta a cidade de um lado a outro. O mendigo, que vivia debaixo de uma ponte, caiu e não conseguia sair. Era lama pura, água podre, e o mendigo em estertores. As pessoas se juntavam sobre a parte alta do riacho, viam o mendigo em agonia e... nada faziam. Até que chega um policial militar, um PM de folga, e sem piscar os olhos joga-se no riacho sujo para salvar o mendigo, e o salva. Escassos aplausos.

Veja bem, muitos “observavam” o mendigo morrendo e nada faziam. Foi preciso um “ser humano” para salvar o homem sem “identidade”. E é isso o que acontece sempre que há uma tragédia, um sofrimento de alguém e a espera de uma alma humana que se disponha ao auxílio. Nunca o auxílio vem de um embotado, de um “doutor”, de um frajola estúpido da vida, nunca.

Foi o que aconteceu em Brumadinho, no rompimento da barragem que matou pessoas, enlutou famílias e deixou no bem-bom os irresponsáveis pela segurança da obra. Foram bombeiros, soldados, voluntários de todo tipo, pessoas sem carrões nem mansões os que se atiraram na lama para salvar pessoas. É sempre assim. Sempre os simples, os “operários da vida”, os que não olham para os lados, os que se esquecem de si mesmos e jogam-se pela vida de desconhecidos.

O cruel nesta nossa sociedade é que as pessoas bravas, heroicas e retumbantes andam por aí anônimas, poucos dão a elas o valor que elas têm. Um valor anônimo. Você não vê essas pessoas forradas de grifes pelo corpo, batendo a porta de automóveis caros, levando pela mão crianças chatas e consumistas, você não vê essas pessoas olhando por cima a ninguém, mas... Na hora em que os engomados, ou seja quem for, estiverem com a corda do desespero no pescoço são essas pessoas simples, anônimas, que vão usar de suas forças para salvá-las.

Bombeiros, policiais, voluntários, vocês são a alma da vida de uma sociedade de aparências, vocês “são”, vocês não parecem, vocês aparecem...

Tempo

Recorte de jornal, junho, 2002. Diz assim a reportagem – “Insensibilidade, mau gosto e chulices na programação noturna das tevês...”. E lê-se trecho de uma cena da minissérie “As noivas de Copacabana: - Uma garotinha de 16 anos solicita ajuda: - “Mamãe me expulsou de casa... só porque eu estou grávida e não sei quem é o pai...”. Isso em 2002. Hoje “melhorou”, falam palavrões de motel e estão tirando as calças. Ordinários de programação e ordinários de audiência. Fecha.

Verdade

Cuidado, safados. Leio um colega de São Paulo e ele diz que – “O novo mapa do crime transita nos bares badalados, vive nos condomínios fechados, estuda em colégios e universidades da moda e desfibra o caráter no pântano de um consumismo descontrolado...”. Vivo dizendo isso. Mas vou mais longe, ferro nesses “doutores” que fazem esses filhos, “doutores” de todas as “instâncias”. Ferro neles.

Falta dizer

É bom ler jornais velhos... Manchete da Folha de São Paulo, 12 outubro, 2013 (quem estava mesmo na presidência?): - “Bolsa Família beneficiou 2.168 políticos ilegalmente”. Ué, a Bolsa não era para os pobres? Como é que houve esse desastroso “engano”? E será que estão na cadeia os que se enganaram ao usar o dinheiro do povo, dinheiro da saúde, da educação... de tudo? Ferro!