Eu estava folheando uma edição da revista Você S.A. e marcando as páginas dos artigos que mais me chamavam a atenção, para depois lê-los com o devido apreço. Estava indo sem muito entusiasmo, até que dei de olhos com ela. Linda, jovem, sorridente, bem-vestida... Quis saber mais sobre a mulher, afinal, era destaque na revista. Eu devorava a foto da moça até que meus olhos desceram aos seus pés. Ah, essa não, ela estava de sandálias, dessas de andar em casa ou na beira da praia. Mas como? Vestida daquele jeito e de sandálias de borracha na rua? E ao fundo a cidade de Nova Iorque. Era demais... Não, não era demais. Quando vi do que se tratava, ah, fiquei mais admirado dela. A moça usava sandálias de borracha de uma marca famosíssima e... Fiquei sabendo, ela é gerente de negócios internacionais, algo assim, da fabricante das sandálias. A moça e as sandálias, brasileiras. Faz todo sentido. Andar com aquelas sandálias é mais ou menos como um torcedor vestir a camisa do seu clube, natural. No caso de um funcionário, ele ou ela não se pode sentir constrangido de usar das marcas da empresa que os paga, que lhes empresta o sobrenome, que os faz gente, enfim. Mas isso é raro. Lembro de uma vez que entrei no carro de um diretor de esportes de uma rádio famosa de Porto Alegre. O cara ligou o rádio e... o rádio estava, e ficou, em outra emissora. Mas como? Quem trabalha numa determinada emissora só tem que ouvir aquela emissora. E assim com tudo. No Brasil, a corja não admite usar bottons da empresa na lapela, camisa da empresa no fim de semana, ir a uma festa com algo que os mostre vinculados a esta ou aquela instituição, nada. Os minguados têm vergonha disso. Bem diferentes dos americanos que usam de tudo de suas empresas, e com orgulho. Gostei da moreninha que anda pelo centro de Nova Iorque vestida com apuro e de sandálias de borracha nos pés, “fardada” com as armas de sua empresa. Linda. Aplausos. Ou fiu fiu.

LEIA A COLUNA COMPLETA NA VERSÃO DIGITAL DO JORNAL O CORREIO DO POVO