Parei diante de uma das minhas estantes e... simplesmente estiquei o braço, disposto a pegar o livro que me estivesse ao alcance dos dedos. Saiu-me uma edição especial, lida, relida, treslida. Treslida é uma palavra estranha, alguém pode pensar em três vezes. Tresler é ler de trás para adiante, é pelo menos um dos seus sinônimos. Sim, tudo bem, Prates, mas não enrola, vai logo, diz que livro pegaste!

É um livro da ocasião: - “As 48 Leis do Poder”, tipo de um compêndio de Maquiavel, mas escrito por um americano, Roberto Greene. O livro é um resumo de como deve agir alguém em busca de poder, políticos, por exemplo.

Vou lembrar três pequenas passagens do livro. Primeira: “Adote a plasticidade do ator”. Hummm. Ator? Um político em campanha é um ator? É mais que ator, não raro, é um palhaço que se quer confundir com o povo, faz micagens que nunca faria fora da campanha.

Outra pegada do livro: “O mau ator é aquele que é sempre sincero...”. Ouviste bem? Ser sempre sincero é coisa de mau ator. Claro, bom lembrar que estamos falando dos que buscam o poder, políticos, repito.

Outra sacada do livro: - “Aprenda a representar muitos papéis, a ser aquilo que a ocasião exige. Adapte a sua máscara à situação, tenha várias máscaras”. Que horror! Mas tudo a mais pura verdade... Agora, pensando bem, esses princípios comezinhos do livro valem para muitíssimas situações por que nós todos passamos todos os dias.

Em casa, com a mulher, com o marido, como os filhos, por acaso não precisamos de máscaras? Óbvio que sim, falar a verdade, na lata, na cara, pode-nos custar caro, caríssimo. Pensando bem, a educação nos exige várias máscaras ao dia. Aliás, tenho um “amigo”, político, que um dia foi acusado de ter duas caras... E ele respondeu, irônico: - “Se eu tivesse duas caras, tu achas que eu andaria com esta de agora”? O bom humor salva. Mas que fique bem claro: se um candidato em campanha não tiver múltiplas máscaras, bah, mas não ganha nem para cuidador de... (o que você imaginar...). Não ganha. O povo adora máscaras, mentiras e promessas falsas. Desconfio, aliás, que esse livro deve estar esgotado nas livrarias, pelo menos por estes dias...

Horror

Verdade ácida... No livro “Longevidade do Cérebro”, lido e relido, há um trecho cáustico. Uma médica americana especialista em Memória diz que não é a velhice que causa perda de memória, mas sim a inatividade da mente. E ela foi fundo: a televisão, por exemplo, debilita a memória dos mais idosos porque a programação é muito “simples”, não exige inteligência, pensar, e isso debilita as mentes, deixa-as preguiçosas. Pois é, mas a tevê procura atender a maioria...

Razões

Vivências parecidas produzem resultados diferentes entre pessoas, mas faz sentido, os humanos não são equações matemáticas. Acabei de ouvir que pessoas que comem de modo prudente, “saudável”, pessoas que se exercitam diariamente, isso e mais aquilo, não deixam de estar entre as vulneráveis aos cânceres.... Ué, há algo estranho nisso! O “estranho” vem da mente, dos pensamentos, das percepções, dos emocionais. Aí estão as raízes das patologias mais brabas...

Falta dizer

 Ah, os jornais! Acabei de tirar de um deles esta frase: - “Um leitor vive mil vidas antes de morrer, a pessoa que nunca lê vive apenas uma”. Vivo dizendo nas minhas palestras escolares que um guri, uma guria pobre pode ser o que quiser na vida desde que “descubra” os poderes da leitura. Livros e jornais são passaportes para uma vida rica...