A frase estava ali, num cantinho do livro, mas acendia uma luzinha vermelha muito intensa. A “luzinha” dizia assim: - “É preciso toda uma aldeia para se criar bem uma única criança”.

Frase bonita, inteligente, mas... discutível. Por que discutível? Porque todos nós, queiramos ou não, temos dentro de nós uma multidão, a multidão de todas as pessoas que estiveram perto de nós do nascimento até aos cinco ou seis anos... É aquele proverbial “período de molde” de que tenho aqui falado à exaustão.

Volta e meia ouço alguém dizer que – “Ah, eu sou assim, sou eu mesmo, sou como sou e quem me quiser aceitar como sou, tudo bem, caso contrário, que caia fora”.

Esse tipo de pessoa, muito comum, é nauseabunda, insuportável. Todos nós, para o bom convívio social, para a sobrevivência mesmo, precisamos de um “elástico” dentro da cabeça, o elástico da paciência, do entendimento; de outro modo, afugentaremos as pessoas como lixo fétido. Por igual.

A frase do livro, “é preciso toda uma aldeia...” é o resumo de um óbvio, já disse. Todos nós somos uma multidão. Algumas pessoas tiveram, digamos, mais sorte na infância, foram “impressionadas” por pessoas do bem, com bom jeito de fala e gestos, pessoas de boa cabeça e tranquilas. Toda criança cercada na primeira infância por esse tipo de gente e “padrão” tende a crescer para o bem. Tende, eu disse.

O diacho é que nós temos as “misteriosas” mutações de comportamento. Muitas pessoas tiveram bons exemplos por perto durante o “período de molde”, mas, inobstante todos esses exemplos, cresceram para o mal. Há quem diga que isso é uma bem-aventurança da vida, não fosse assim, teríamos as aristocracias dos bons comportamentos e os perdidos da noite na vida.

Os bons exemplos são um especial tipo de cimento para a formação da personalidade, mas... também nos bons pisos de cimento há acidentes. Toda esta conversa para dizer que é insuportável a pessoa que diz que o que tem para dizer, ela diz, que ela é assim e que não vai mudar. Desse tipo de gente saiamos correndo. Imagine casar com um desses tipos.

Quem segura a língua preserva o coração das angústias, dizia o rei Salomão, e acrescento: quem se controla diante dos maus ímpetos pode dar graças silenciosas a alguém de seu passado, esse alguém foi impressivo e deixou marcas para sempre. Abençoada e felizarda pessoa.

Excesso

Tenho o mais profundo desprezo pelos indolentes, pelos atrevidos, pelos que não se olham no espelho... As cenas vieram pela tevê de uma praia de capital nordestina, praia cheia e... alguns tipos reclamando que a Prefeitura não havia colocado cadeiras e guarda-sóis em número suficiente. Reclamavam que tinham que sentar sobre a areia e blábláblá... Era só o que faltava, os caras querem cadeiras e guarda-sóis, só o que faltava! Por que não reclamam pela falta de livros?

Saúde

No livro Longevidade do Cérebro, página 70, lê-se: - “O enriquecimento mental é especialmente importante para os idosos”. A frase é instigante, alguém pode pensar que é fácil iniciar investimentos na mente depois de velha a pessoa. Possível, mas quase impossível. Quem não tiver na velhice o vezo da leitura, das artes, dos bons entretenimentos, babaus, é tarde. Esse investimento, um tipo especial de poupança, ou se começa cedo ou... será tarde.

Falta dizer

O irônico Marquês de Maricá (1773-1848) dizia que – “A ordem pública periga onde não há punição”. Pô, Marquês, como tu conhecias o Brasil, aqui vagabundos cruéis não são punidos, são agraciados com as “penas”. Que o bom povo faça a “justiça”.