Andando na contramão da nojenta minissérie “Os Dias Eram Assim” – a rádio Globo, Rio, “inovou-se” e agora bem que se pode dizer que hoje “Os Dias São Assim” na emissora. O que quero dizer? Quero dizer que a rádio acaba de mudar a programação diária, que era séria, feita por locutores com voz de homens e mulheres com voz de mulheres, coisa raríssima no rádio de hoje... Pois vi os anúncios da nova programação e a cara dos “novos” apresentadores, todos figuras manjadas da TV, e dos shows musicais. Santo Deus, parecia um concurso de mímicas, de caretas, cada um fazendo uma cara toda “engraçada”, língua de fora, risos esgarçados, circo mesmo... Agora é assim, Agora os Dias São Assim... Precisam ser assim para conquistar mais audiência. Sem folguedos e banalidades inúteis, a audiência cai. – Ah, mas dá para fazer coisa séria de modo mais leve, brincando até mesmo, Prates! Desculpe-me, não na minha rádio, na minha TV ou no meu jornal. – “Ah, mas tu és do tempo antigo”! Os diretores e donos de rádios e tevês são todos do tempo antigo, ocorre, todavia, que para aumentar os lucros vale tudo, ceder de todos os modos, tirar as calças para juntar-se à audiência do povo que já vive sem calças, ou por não tê-las ou por tirá-las para as outras conveniências. Se eu for mais claro, me tornarei despudorado, deixemos assim. Que tempos estes de hoje, hein! Educação, severidade de costumes, ordem, leis, cumprimento de deveres, nada, o que está valendo é a “liberdade” e o vale-tudo. Não vamos longe, pergunte a qualquer professora como é a vida dela em sala de aula... Eu respondo daqui – só uma “louca” continua em sala de aula com esse rebanho de hoje de criancinhas, crianças, pré-adolescentes e adolescentes safados, sem-vergonhas porque sem-educação de pai e mãe. E vale repetir aqui, o momento por que passamos é tão crítico que o ator Edson Celulari, dia destes, disse que “o teatro brasileiro vive um momento de penúria”... E você sabe que a Orquestra Sinfônica Brasileira não paga salários há sete meses para seus músicos... E para arrematar, lembrar de uma frase do ator Antônio Fagundes: “O brasileiro gosta de ir ao teatro para morrer de rir e depois sair para comer uma pizza”... Fagundes, deixa-me te corrigir um tantinho, não é de teatro que o povinho gosta, o povinho gosta é de stand-ups sem graça nem talento, mesmo assim, o povinho morre de rir. E está morrendo de outras desgraças e não se da conta. Merece! Gentinha O povo e a imprensa brasileira, na maioria, tudo gentinha... Ocorre um atentado na Europa, quatro mortos, e a imprensa daqui faz um bafafá. Sim, mas e as chacinas de todos os dias em todas as capitais brasileiras? Os tapados nem sabem disso e se sabem deixam passar... Falta dizer Manchete de um colunista da Folha: - “Todo homofóbico é gay enrustido”. Deu discussão. Espere um pouco, eu venho dizendo isso há anos. O cara que não aceita a homossexualidade é homossexual, não é mesmo, Freud?