Vamos supor que a pessoa esteja com as contas atrasadas, não apenas as contas propriamente ditas, mas que o atraso seja também com as contas da vida... Das contas atrasadas todos sabem a saída: gastar com prudência, poupar, e trabalhar mais para liquidar as contas no vermelho.

Quem é que não sabe disso? E isso que não falei da irresponsabilidade, caso maior e típico dos indolentes. Mas o de que quero falar, leitora, é da falsa ingenuidade de muitos, uma ingenuidade que se confunde com estupidez.

Estou diante de um caso grifado numa manchete do UOL. Diz assim a manchete: - “Mulher perde 40 mil para cartomante que lhe “abriria” caminhos, em Belo Horizonte”. A tal mulher, a consulente, estava “travada” em questões financeira, amorosa e familiar.

Essa ingenuidade safada me irrita. Querer superar dificuldades por meio de trambiques divinatórios já revela a personalidade da encrencada. Em que tipo de questão financeira ela estava travada? Que tipo de dificuldade familiar? E que questão amorosa era essa?

E dizer que existem dessas pessoas, levianas, que acreditam que alguém lhes possa tirar do atoleiro em que se meteram por babaquices típicas de uma personalidade imatura, leviana. Uma coisa é uma dificuldade inerente à condição humana, a doença grave de um familiar querido, por exemplo.

E muitas vezes a pessoa não dispõe do dinheiro necessário para o tratamento... Sim, um problemão. Mas esse problema não será resolvido por uma cartomante. E a questão amorosa? Quem escolheu errado, a “vítima” ou o outro lado da relação?

Ora, “todas” as nossas frustrações afetivas, ditas amorosas, vêm dos nossos erros de percepção, de escolha. Querer resolver problemas com jogo de cartas, com chazinhos caseiros, com orações labiais e inúteis, pagar para ver, são processos de gente que se revela, se revela pelo tipo de problema em que se meteu ou do modo ingênuo como pensa a vida.

Uma dificuldade na vida? Primeira ação: fazer tudo que nos é possível e obrigação. Tudo, sem remelas. Junto a isso, fé. A velha história do – Se tu podes crer, tudo é possível ao que crê! Mas fique claro, ter fé não é sentar e esperar, é levantar e agir. Aí, nesse caso, o santo vai ajudar.

PROBLEMAS

Di destes, eu me vi no fundo do poço, de um poço emocional, só eu sei... Saí para fazer uma compra num shopping. Encontrei alguns conhecidos. Sem lhes falar nada de mim, ouvi desabafos dessas pessoas. Que coisa incrível, todas estavam vivendo um danoso fundo de poço, de um modo ou de outro na vida. Saí pensando, mas o que é isso... Isso é a vida, companheiros! Ver os outros de longe todos numa boa é um formidável equívoco.

FUGAS

Manchete da DataFolha – “62% dos jovens, 25, 34 anos, querem sair do Brasil”. Já disse várias vezes, muitíssimos desses “jovens” são levianos que acham que lá fora tudo é mais fácil. Coitados, vão virar “domésticos” diante dos exploradores de lá que sugam os que vêm do “terceiro mundo”. Mas, e é aqui que o bicho pega, muitos desses jovens também querem dar no pé em razão de suas vidas infernais com a família. Pais, mães e irmãos que não prestam... Nesses casos, dou-lhes toda razão, “garotada”...

FALTA DIZER

A palavra “fanum”, latina, significa templo, local sagrado. Dessa palavra resultou o adjetivo fanático, identificando os irascíveis que andam por “templos” de religiões inventadas, isto é, todas. Não existe lugar sagrado. Mas os “fanáticos” pelo nada andam por aí, soltos. A etimologia os explica.