Vou contar um fato, mas antes preciso dizer que... É isso mesmo, o melhor programa para quem não tem dinheiro é ficar em casa. Ficar em casa feliz, dar-se conta de que nada foi feito para que um bom programa, fora de casa, pudesse ser levado adiante... Não é, todavia, o que a maioria dos brasileiros faz. Burramente, muitos levam ao pé da letra a incitação budista do viver no “aqui e agora”. É preciso entender que viver no aqui e agora não é sair por aí jogando tudo para o alto e não pensar no amanhã. Afinal, todos desejam o amanhã, não lhe parece?

Acabei de ler num jornal das minhas leituras diárias uma reportagem que começava assim: - “A família.... teve de mudar os planos da viagem de férias para a China que fará no mês que vem por causa da disparada do dólar. A família reduziu o período da viagem, optou por hotéis menos sofisticados e tirou destinos da programação para conseguir cortar 30% dos gastos...”. A tal viagem foi pedida por um dos filhos, um guri de pouca idade...

Tudo bem, cada um que faça o que bem entender de sua vida. O que me irrita é que a tal disparada do dólar não passou de acumulados 4 centavos por dólar. Quer dizer, se 4 centavos de reais mudam todo o programa de uma viagem de férias, os viajantes não são ricos, são pobres ou por aí... Se tão poucos centavos fizeram diferença, por que essas pessoas não ficam em casa ou dão uma esticadinha por aqui mesmo, pelo Brasil?

Que não tiver dinheiro para um (horroroso) churrasco gourmet, que faça um churrasquinho na laje, o mais saboroso, o churrasquinho da família, dos vizinhos, dos amigos, tudo por aqui mesmo. Irrita-me muito essa história de a pessoa sair daqui para fazer compras em outlets de Miami podendo comprar tudo por aqui mesmo, logo ali, no Vale do Itajaí, onde podemos achar as melhores confecções. Vão lá para o outro lado do mundo, nada trazem na cabeça, nada aprendem, mas voltam cheios de selfies. Que gentinha. Viver no aqui e agora é viver no aqui e agora pensando no amanhã, quando, aí sim, poderemos ter condições de ir para a China sem precisar contar centavos de dólar...

Eles

Não, não os posso levar para compadres. Veja esta manchete: - “Jovens passam longe das urnas”. Trata-se da presença dos nossos jovens de 16 e 17 anos que podem votar nestas eleições, é um voto facultativo. Nas eleições de 2012, eles chegaram a 116 mil cadastrados, este ano o número caiu para 49 mil. Por quê? Pura irresponsabilidade, nem aí para questões sérias, posto que sejam, esses indolentes, defendidos pelos pais que dizem – “Ah, são muito jovens para votar”! Muito jovens? E como é que não são tão jovens assim para sacanagens de todo tipo, hein? Indolentes.

Tristeza

Aliás, tristeza é nome de uma música que ele compôs. O cidadão, compositor famoso, está numa pior, na miséria. E aparece numa foto com uma filha cuja legenda diz: “Fulano com a filha... a única confiável”. Que tristeza um pai ter vários filhos e só um ser confiável, que tristeza! Todavia... muito comum, muito mais comum do que você possa pensar. Honrar pai e mãe não passa de uma mensagem de para-choque de caminhão.