Fui fazer a barba e, indispensável, liguei o rádio. Meu amigão desde há muito, tenho sempre um rádio ou radinho por perto. O do banheiro é sagrado. Aliás, antes de ir adiante devo dizer que essa expressão “fazer a barba” tem a nossa cara, a cara de brasileiros que falam mal. Os americanos não dizem “fazer a barba”, dizem “cortar a barba, afinal, ainda não temos poder para “fazer” a barba...

Pois liguei o rádio e me irritei. Foi na CBN nacional. O apresentador entrevistava um CEO de empresa recrutadora de mão-de-obra. Aquelas coisas, aqueles tipos... O entrevistado, a certa altura, e perguntado sobre a “intromissão” dos pais na escolha profissional dos filhos, disse que essa intromissão é costumeiramente indevida, um desrespeito aos filhos... E acrescentou dizendo que até aos 12 anos, mais ou menos, os pais só educam os filhos pelo “não”, as crianças e os pré-adolescentes quase nunca ouvem um sim... E foi adiante dizendo bobagens.

Antes de tudo, o abobado devia saber que a palavra mais importante na educação de crianças e jovenzinhos é a palavra não. O não educa, disciplina, encaminha para o bem; já o sim é uma porta aberta para o tudo, para o indevido. Ah, e quase esquecia, o parvo do empresário entrevistado teve ainda o topete de criticar os 10 Mandamentos. Enfatizou que dentre os 10 Mandamentos apenas 1 não nos sentenciam com o não, é o 4º mandamento, o que nos “lembra” de Honrar pai e mãe... O “sábio” esqueceu do Mandamento: Amar a Deus sobre todas as coisas, e o Guardar domingos e festas...

Ora bolas, se os 10 Mandamentos fossem um rosário de “sins”, nós estaríamos já, e agora, todos no inferno. E o mundo já teria acabado.

Quando os pais “não se metem” na vida dos filhos dá nisso que anda por aí, multidões de crianças e jovens demoníacos, neuróticos a infernizar a vida das professoras e, mais tarde, a vida de colegas e chefes no ambiente de trabalho. Quando uma criança é acostumada ao “sim” ela vai crescer para o sim, e vai dar de cara com um mundo que só ainda está de pé porque existe o “não”.

Aliás, nós mesmos, no silêncio de nossas preocupações ou possíveis decisões, mais das vezes, se não ouvirmos o pouquinho de sensibilidade que nos sobra ou sobrou, vamos atravessar o sinal vermelho do “não” e cair nas bandalheiras do sim... Será tarde. Não é mesmo safados da Lava Jato?

Mandamentos

Imagine os 10 Mandamentos sem os “nãos”. Seria uma orgia romana, todos se atreveriam com a mulher do próximo, matariam, roubariam, levantariam falsos testemunhos, cobiçariam de modo mau os bens alheios, etc., etc. A vida precisa de mandamentos, de proibições, de outro modo, estaríamos todos sob a regência do Princípio do Prazer, meus interesses por primeiro, meus prazeres antes de tudo, e o que sobrar será, então, dos outros. Negativo, humanoides.

Condutas

Os manuais ou códigos de ética das empresas, não raro, costumam ser vagos, um tanto imprecisos especialmente para os de má vontade. As coisas têm que ficar muito claras quanto a roupas, adereços, linguagem, pontualidade, absenteísmos, comportamentos “fora” da empresa, tudo o que possa perturbar o ambiente de trabalho, condutas intra e extramuros. Os funcionários têm que ler e assinar os manuais “antes” de ter a carteira assinada. Certo? Faz bem a todos!

Falta dizer

 Não tem cabimento, ela (uma certa mulher) se anuncia como coach de condutas e se deixa mostrar em fotos sensuais, fazendo caras e bocas, vulgar de redes sociais. Falta “espelho” para muita gente.