- E aí, já escolheste as “fantasias” para hoje? Falei “fantasias”, não falei fantasia, uma só. Faço essa pergunta aos amigos durante o ano todo. E já ouvi muitas vezes a resposta negativa, - “Ah, Prates, nunca gostei de carnaval”. Não estou falando de carnaval, desse carnaval do Rei Momo. Falo do carnaval do dia a dia, onde temos que usar “fantasias”.

Vou clarear a charla. Em casa, temos que usar a fantasia do cônjuge, ele ou ela, boa companhia, ainda que em muitos momentos estejamos por subir pelas paredes, mas o bom convívio exige a “máscara” do controle emocional, da boa educação.

Ao sairmos de casa para o trabalho, a máscara. A máscara do colega educado, agradável. Sem essa de levar para o trabalho a máscara do burro atolado porque saiu de casa brigado/a... Sem essa. Ao falar com o chefe, uma máscara. Ao sair da sala dele e voltar aos colegas, outra máscara.

Ao ir a uma festa, a máscara da alegria, afinal, não faz sentido sair de casa com a cara enfarruscada e estragar a festa alheia. – “Ah, mas hoje não estou bem”! – Ah, não estás? Então, fiques em casa, procures um bom canto e aí mordas os lábios da frustração, jamais com os outros que nada têm a ver com isso.

Digo isso tudo, leitora/or, porque não aguento mais conviver ou encontrar pessoas sem a máscara adequada para o momento, pessoas que são o que são... E não há pessoa pior do que aquela que diz que – “Ah, eu sou o que sou e não vou mudar”! Esse tipo de gente não vai longe no casamento, não preserva amigos e não será, jamais, bem-sucedido no trabalho.

Sem as máscaras adequadas para o fandango da vida, nada feito. Aliás, foram muito inteligentes os antigos, os povos milenares, que cunharam a expressão “personalidade” a partir da palavra latina “persona”, máscara. Personalidade é máscara, a máscara que usamos nos mais diversos momentos da vida. Sem as máscaras somos insuportáveis.

Vou lá dentro procurar pelas minhas máscaras para hoje, serão muitas, sei bem, só espero que os meus conhecidos e amigos que vou encontrar também estejam devidamente agradáveis, com suas melhores máscaras. Vou procurar pelas minhas, serão muitas hoje, bah...

Educação

Educação é o exercício adequado do uso de máscaras. É não dizer a quem fez a comida que não gosta daquele tipo de arroz; é não dizer que não gosta de vinho ao ganhar uma garrafa de vinho, é não dizer a um colega, ele ou ela, que a blusa ou o casaco não está caindo bem, não ficou bem... Guardar a língua é preservar o coração da angústia, e dizer, sem palavras, que se é pessoa educada.

Psicologia

Americanos testaram. Colocaram num açougue pedaços de carne diante do anúncio: 99% livre de gordura. E mais adiante, outras carnes sob o anúncio: 1% de gordura. Os otários só compravam da primeira oferta, a de 99% livre de gordura. Incapazes de ver que as duas ofertas eram iguais. É assim que se faz publicidade, muitas vezes, aproveitando a estreiteza mental dos consumidores...

Falta dizer

O filhinho, baita mandrião de 15 anos, vai fazer aniversário? Ou a bobona do shopping, vai fazer 16? Ao meio dos presentes, que os pais coloquem um livro, um livro bem escolhido. O livro ou vai constranger o aniversariante ou “acordá-lo/a” para a vida. Será presente inesquecível, não sem antes constranger um pouco. Hurras ao constrangimento, vivas!