Nossas fantasias

Colunistas

Por: Luiz Carlos Prates

sexta-feira, 04:00 - 16/09/2016

Luiz Carlos Prates
Antes de abrir a janela para o que hoje me traz até você, preciso dar umas voltas, são-me imprescindíveis. Vamos a elas. Todas as metafísicas especuladas pelo ser humano foram inventadas. Precisamos de apoios para suportar a vida. A consciência da finitude faz o ser humano diferente dos bichos, os bichos são felizes, se não forem molestados pelos seus estúpidos “parentes”, os humanos. Já os humanos são infelizes do berço à sepultura, tudo por consequência da maldita consciência. Daí que todas as nossas metafísicas são invenções. Não temos provas, provas feitas, por exemplo, nos laboratórios da Nasa, nada provado sobre a existência de um “espírito” sobrevivendo ao corpo, mas precisamos crer nisso, sem essa crença o desespero nos empurra mais cedo para a cova... É preciso ter esperanças, crer nos metafísicos, de outro modo a loucura nos vai abraçar mais cedo. Pronto, posso agora chegar à conversa de hoje. O assunto me foi inspirado pela linda Fernanda Takai, cantora da banda Pato Fu. Numa entrevista, ela disse que – “Acho que o tempo tem passado cada vez mais rápido na medida em que vou ficando mais velha”. A frase é ótima para uma longa conversa depois de um show, Fernanda. Mas vamos lá. Não existe o tempo. O tempo foi a primeira invenção do ser humano ao ter certeza de que as coisas vão se transformando na passagem dele... Passagem? E que isso implica num ciclo ou círculo eterno. Não existe o tempo, esse tempo humano contado em dias, anos, séculos... Isso não existe. Existe consciência de que vamos, desde o nascimento, passando por transformações, chamamos isso de tempo. Não é. Ademais, à medida que envelhecemos olhamos mais para o relógio da vida, esse relógio parece acelerar o passo quanto mais nos damos conta de que o corpo vai se “transformando”... Disso resulta à consciência de que temos pouco “tempo” pela frente para realizar sonhos e viver... O relógio do recém-nascido e do velhinho é o mesmo, a consciência não. É a consciência que faz o relógio da vida andar mais rápido ou menos rápido, todos sabemos disso. O diacho é saber disso; mas, se de fato acreditássemos numa vida eterna, ninguém olharia para o relógio da velhice, para quê? - afinal, teríamos a eternidade para viver... Fernandinha, obrigado pela inspiração, o assunto é eterno, não cabe aqui... Aplausos para o teu show. Exemplos Volta e meia os jornais publicam fotos e celebrações de pessoas de idade, na linguagem do povo, velhas, que terminam um curso não terminado na juventude, Segundo Grau, por exemplo. Pessoas que mantiveram acesa a chama da vontade, do querer chegar a um diploma, e até mesmo diplomas universitários, todavia, muitos não as entendem. Quem não desiste, quem persegue um sonho, seja pela razão que for, merece abraços, admirações. Mas eu sei, o esforço alheio, as conquistar alheias ferem duramente aos incapazes existenciais. Falta dizer Tenho uma amiga que está “esperando” pelo amor. O namorado dela se mandou, e ela mantém acesa a vela da esperança: - Ele vai voltar! Desiste, querida, quem sabe faz a hora, não espera acontecer, como canto Geraldo Vandré. Sai para a vida, linda!
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