Nós e os outros

Colunistas

Por: Luiz Carlos Prates

sábado, 04:00 - 17/09/2016

Luiz Carlos Prates
Muito da condição humana pode ser estudado a partir de nossas ações e relações no ambiente de trabalho, onde passamos as melhores horas do dia dos melhores anos de nossa vida. E um dos mais formidáveis laboratórios desse estudo é o ambiente do futebol, onde pessoas – indivíduos – trabalham fundamentalmente no sistema coletivo. Poucos são os trabalhos que dependem tanto da ação coletiva quanto o futebol, mas... Esse trabalho coletivo só poderá ser bem executado se cada um dos seus artífices, isto é, cada jogador, fizer bem a sua parte. O todo resulta da soma das partes, mas... O que precisa ficar claro é que a minha participação como membro de qualquer grupo profissional não pode depender dos meus amuos ou prazeres em função de quem me está ao lado, tanto como colega quanto como chefe. Li em vários jornais elogios ao treinador Tite, o novo técnico da Seleção Brasileira, e os elogios vieram dos jogadores, todos dizendo que agora está mais fácil de jogar porque há um clima mais leve e descontraído na Comissão Técnica... Os pernas-de-pau vão me desculpar, eles estavam era jogando de má-vontade com os treinadores anteriores, não há outra inferência a fazer. Que conversa é essa de que a minha produção no trabalho depende do meu chefe imediato, do meu supervisor, desde quando isso? Posso não ir com a cara dele mas o meu trabalho, que resulta dos meus esforços, da minha qualidade/talento e da minha ética, não pode nem vai ser diminuído só porque eu não vou com a cara do sujeito. Jamais. E ninguém me vai diminuir a minha possível qualidade e empenho no trabalho só porque o sujeito “lá na frente” não é simpático, isso é problema dele. O meu trabalho é meu e o faço “por mim”, se cada um do grupo pensar assim, tudo irá bem. Só os burros produzem menos visando a derrubar o chefe... Dentro de uma empresa “normal” quem fizer isso vai acabar no olho da rua; já no futebol é o que mais acontece: o grupo fecha acordos para derrubar o treinador, e isso se consegue jogando para não ganhar. É o que, faz tempo, acontece em equipes brasileiras. Para terminar, que fique claro: o funcionário que justifica sua baixa produção por alguma razão de antipatia com algum chefe não é bom funcionário, não se garante como pessoa. Vai acabar na calçada. Tipos Nos ambientes por que passei sempre houve dois tipos de “profissionais”. O primeiro, maioria absoluta, formado pelos que não conseguem escrever uma linha se houver alguém “respirando” por perto. São “profissionais” que se queixam de qualquer barulhinho, um passarinho piando já os impede de pensar... Será que não conseguem por que nada têm na cabeça? E o segundo grupo, o dos bons, é formado por aquele tipo que pensa, escreve e fala mesmo que a banda do 7º Regimento esteja tocando na frente deles. E agora me diga de quem é a culpa da incompetência? É do barulho? Eles dizem que sim. Falta dizer O camarada, da atividade que for, que não ler um jornal por dia, todos os dias, sem faltas nem em dias santos, como pode protestar contra isso ou aquilo? Sem “nutrientes” na mente a boca diz bobagens...
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