O que seria de nós se não fosse o direito à repetição? Penso que sobraria muito pouco, afinal, está no “livro” que: o que é já foi e o que foi será... Nada há de novo abaixo do sol, pois não? Diante desse nosso direito, vou-me permitir repetir aqui uma história que já a contei, faz tempo. Essa história me voltou à memória acompanhando a melhor novela da Globo dos últimos tempos: Além do Tempo. Que novela! A história que vou recontar envolve um casal muito pobre, camponeses de uma zona rural. Com todas as dificuldades de uma pobreza extrema, o casal não tinha condições de gerar um filho e fazê-lo crescer para a vida. Crescer com a devida cidadania que temos que dar a uma criança de nossa responsabilidade... Então, toda vez que a mulher engravidava, a decisão já estava tomada pelo casal: a criança seria jogada no rio, não havia o leque de anticoncepcionais como hoje nem a facilidade clínica para o aborto... E assim foi. Nascido um filho, o pai o tomava nos braços e o ia jogar no rio próximo à casa. A história se repetiu muitas vezes. Mas o tempo passou, o casal melhorou de vida. As plantações garantiram mais recursos para o casal, e disso resultou a decisão de fazer um filho e não o jogar no rio. Dito e feito. A criança nasceu e o casal ficou muito feliz. Numa certa noite de verão, fazia uma lua-cheia lindíssima, o pai decidiu sair para um passeio com o filho no colo. E lá foram os dois. Passando às margens do rio próximo à casa, o pai, olhando para a lua, conversou com o filho bebê: “Que noite linda, filho, e que felicidade te ter nos braços, que felicidade”! Nesse momento, o pai ouviu o bebê dizer: “Pai, nas noites anteriores, quando me jogaste no rio, também fazia noites bonitas, lindas”... Foi isso, leitora, que a minha inesquecível novela Além do Tempo me fez lembrar... Um pingo de lágrima.

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