Todos andamos de máscaras, todos. Não há quem não se “esconda” atrás de uma máscara. Verdade incontestável e triste, vivemos escondidos atrás de uma máscara, o que mostramos aos outros, e às vezes a nós mesmos, nada tem ver com o que somos por baixo desse disfarce... Aliás, não foi por outra razão que os gregos pegaram a palavra máscara – persona, para eles – e dela tiraram a palavra personalidade. Quer dizer, personalidade significa máscara. Estou dando estas voltas todas porque ontem, conversando com alguns companheiros, um deles me pediu um conselho. Queria uma dica de como podia mudar o modo de ser, dizia que andava até aqui com ele mesmo... - Sinto muito, companheiro, tu não vais mudar, não vais mesmo, aliás, só podes mudar se algo de muito especial e forte cair sobre ti, mas nesse caso não será uma mudança, será uma obrigação. - Sim, tudo bem, Prates, mas eu quero mudar, estou de paciência esgotada comigo mesmo e com essa vidinha de todos os dias!... E foi nesse momento que outro companheiro sugeriu que o queixoso abraçasse uma religião, descobrisse uma paixão, algo, enfim, novo para ele... Nada feito, retruquei, religião é o pior dos vícios e não muda caráter, bandidos têm religião, são muitos “religiosos” e mesmo assim assaltam, estupram, matam... Onde fica a religião nesses casos? Lá pelas tantas, falei da tal “máscara” que usamos, não somos o que mostramos aos outros, aliás, se mostrássemos quem somos e como somos, a sociedade não duraria mais que 15 minutos. Nada temos de santos. A mudança de que somos capazes só seria ou será possível se puxarmos a máscara e sairmos por aí, exatamente como somos. Sendo quem sou, sem dar explicações a ninguém nem me preocupando com o que os outros pensam, bom, aí seria possível a tal felicidade. Mas quem é que vai fazer isso? Nem bandido faz. A saída, já que não podemos mudar a essência da nossa “máscara” – a personalidade – seria trocar de máscara. O diacho é que trocar a máscara só engana aos outros, não a nós mesmos. O sofrimento continuaria. Então, não tem saída? A saída é saber de tudo isso e viver com o freio puxado... Não sendo assim vamos dar com a cara no muro, afinal, não somos os bonzinhos que fingimos ser. Ninguém muda. Mas é bom saber disso. ESTRANHO Muitos candidatos “pobres” gastaram nestas últimas eleições municipais um dinheiro maior ou equivalente ao dinheiro dos salários dos quatro anos correspondentes ao mandato. Estranho. Se não vão ganhar dinheiro, se gastaram antes o dinheiro do “depois”, o que justifica essa loucura? Loucura ou esperteza? Eles calculam a multidão de otários. E estão certos, o povão é bem mais que otário. Se não fosse, o Brasil não estaria neste fundo de poço em que se encontra nos últimos 13 anos... Falta dizer Um amigo me contou que estava apaixonado por uma colega de trabalho, perdia o sono por ela, até que... a viu discutindo seriamente com outra colega. Ele murchou, viu o futuro e desligou-se do sonho. De fato, só nos revelamos por inteiro quando estamos irados...