Nem o Papa...

Colunistas

Por: Luiz Carlos Prates

sábado, 06:00 - 13/02/2016

Luiz Carlos Prates
Vou lhe fazer uma pergunta. Se você for uma pessoa comum vai dizer que não... Se for uma pessoa consciente provavelmente vai dizer sim. Não vale mentir, a maioria mente, mente mesmo. A pergunta é a seguinte: Você é feliz? Vivo dizendo em minhas palestras que as pessoas costumam colocar a felicidade no lá e no então, isto é, lá, em outro lugar, e então, em outro momento. E a felicidade só pode ser vivida no aqui e agora, jamais em outro lugar e em outro momento. Para ser feliz uma pessoa precisa estar consciente de todos os fatores positivos da sua vida. E sentir-se grata por eles... Ocorre, e é só por isso que estou de volta ao assunto, que as pessoas não se dão conta das tantas “riquezas” de que estão cercadas, não as valorizando como deviam. Exemplo? Vários. A saúde, por exemplo. A família, os amigos, o trabalho, a liberdade, graças de que dispomos e mais das vezes não reconhecemos. Mas vá perder um desses valores para ver... O diacho na condição humana é que para ser felizes temos que ter o que não temos e muitas vezes de que não precisamos. Desejos remotos e de poucos significados reais. A conta nunca vai fechar, realizado um desejo, vem outro, e outro... E assim até o último suspiro. Muito frequente é você invejar alguém cuja vida se soubesse bem dela teria arrepios. É aquela velha questão a que tanto me tenho referido nestas conversas, nós conhecemos os outros por fora e eles se conhecem por dentro; nós nos conhecemos por dentro e os outros nos conhecem por fora. Mentimos reciprocamente. Aliás, vivemos mentido, todos vivemos mentido. E o pior de tudo, conscientemente vivemos mentindo a nós mesmos, o inconsciente é que nos manda sintomas e sinais para nos desmentir. Enfim, felicidade é uma bem-aventurança que nos foi colocada diante do nariz, mas a exemplo do burrinho que corre atrás da cenoura que lhe foi amarrada diante do focinho, nós corremos atrás dos ventos do inalcançável, quando a felicidade é o mais barato e fácil dos bens, basta dizer a si mesmo: sou feliz. Nem o Papa lhe poderá desmentir. Ah, mas é bom nunca esquecer das graças de que gozamos sem nos dar conta. Costumam ser as melhores.

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