Li, pensei e não precisei ir longe: nem ele escapa. Ele é o Papa. Nós aqui de longe, olhamos para o Papa e vemos nele o “Supremo Poder”, ele tem de tudo, servos, atenções, comida, cama, mesa e roupa lavada, afinal, ele representa São Pedro... E ainda por cima, o Papa se refresca nas certezas da fé. Como? Falei em certezas da fé? Que certezas da fé? O Papa é igual a nós, sem tirar nem pôr. Foi dia destes o aniversário de 80 anos dele. A data caiu num sábado, mas durante a semana ele já recebia cumprimentos e votos de “mais” felicidades, mas... Ao receber cumprimentos de fiéis dois ou três dias antes da data de seu aniversário, o Papa disse, “brincando”, que – cumprimentos antes da data do aniversário dão azar. Disse sorrindo e referiu-se a uma superstição argentina, argentino que ele é. Mas será mesmo que o Papa brincou ao lembrar dessa “superstição”? Claro que não, ele foi essencialmente humano, ele não tem nada que o faça diferente de nós, nada. Mais tarde, já no sábado, dia do aniversário, diante de fiéis que o cercavam na Basílica de São Pedro, o Papa pediu que orassem por ele, pedindo a Deus que lhe desse uma velhice tranquila, alegre e de cabeça fértil... Ué, o Papa precisa pedir orações de estranhos? Precisa. O Papa interpreta um papel teatral, como todos os religiosos... Ninguém, lá no fundo da alma, acredita em nada, em nadinha de nada... E esse vazio de fé, fruto da cabeça sábia, resulta em inquietações e medos diante da velhice. O que significa velhice tranquila, como pediu o Papa? Significa sem doenças, cabeça boa e sem precisar de depender de alguém que bem pode não ter boa vontade para esse auxílio. O pior da velhice é a doença e junto com ela a dependência. O Papa, como qualquer de nós, sabe disso. E ele sabe também que está cercado de disfarçados abutres, opa, quis dizer pessoas que lhe são indiferentes. Ora, imagina se pode haver maldade no coração de cardeais, seus “irmãos”, ora já se viu... Enfim, o Papa, brincando, desnudou-se diante dos habituais disfarces que lhe são impostos, ele é humano e os humanos vivem cheios de medo, inseguranças e uma fatal e desesperada certeza: a de que todos somos iguais perante a Grande Bruxa...   MALAS Faz tempo que os observo. Os “malas” entram no avião com malas maiores que eles... E antes já despacharam malas que mais parecem mudanças de uma cidade para outra. Esses “malas” não querem pagar pela bagagem? Não têm dinheiro, fiquem em casa! Têm que pagar pela bagagem sim. - E outra coisa: ordinário de bermuda e/ou chinelo não pode embarcar, que volte para casa e vá se arrumar como gente. Ou que viaje de carroça. Certo? Acho bom!   DIREITOS Olavo Bilac, o poeta, dizia que ao brasileiro falta uma boa guerra e... perdê-la. Parecia-lhe a única chance de os brasileiros acordarem para a vida, para o direito, para o respeito, para os bons modos, valores típicos de quem levou uma lambada numa guerra perdida. Precisamos passar por uma guerra? O diacho é que, de fato, o que mais vemos por aí são safados, ordinários desavergonhados cobrando “direitos”, esquecendo que para gozar direitos é preciso antes, bem antes, cumprir com os deveres. Lambadas nessa gente.   FALTA DIZER Cuidado, abra o olho, a velhice – essa bruxa má e enjoada – começa a nos branquear os cabelos da alma quando olhamos mais para trás que para a frente. A vida está sempre daqui para a frente. Atrás, estão os erros...