Imagino um médico plantonista, um sujeito afeito à ética e ao respeito aos devidos pacientes, devidos, eu disso... O hospital está numa azáfama danada, gente entrando de todos os lados, gemidos, dor, agonias e de repente chega um “paciente” especial... Esse paciente, ele ou ela, gente “fina”, de boa família, universitário/a, cara de quem tem posses. Essa pessoa chega morrendo porque inalou “intencionalmente” gás de buzina. Está na moda. Tem acontecido. É uma buzina que idiotas usam para levar às manifestações de rua ou aos estádios de futebol, coisa de boçal, mas de boçal em última encarnação. E pior de tudo, esse tipo de gente, gente “boa”, está cheirando o gás das buzinas e morrendo. Várias já morreram pelo Brasil. Vi a cara de alguns deles na televisão, Santo Deus! O que queriam da vida? Jovens de famílias de classe média, universitários, gente que passa longe da miséria e cheirando gás de buzina para ficar “loucões”, para ficar “felizes”? Só pode, afinal, qual é o sentido de consumir drogas e venenos senão para ficar “feliz”? Por que esses idiotas não procuram os livros para ficar “loucões”? Por que não procuram um bom teatro, uma ação de caridade aos doentes e às crianças pobres e abandonadas, por que não se envolvem com um saudável credo religioso, por que não se habilitam ao voluntariado de qualquer sorte, ficariam, aí sim, felizes... Não, os “suicidas” querem entrar na onda, cheirar um gás podre e morrer. Agora, tem uma coisa: que os drogados não tirem as vagas de operários nos hospitais. – Ah, mas ele está morrendo... Pois é, mas essas pessoas decidiram por isso, foi vontade própria, não caíram de um andaime na construção civil durante o trabalho... E os pais, o que fazem, que educação dão ou deram a esses tipos que se drogam e se consomem ao cheirar um gás tóxico e destinado a buzinas? Pais? Pais biológicos, isso sim, pais de “cio”, e é só, regra absolutamente geral, raríssimas exceções. Depois se queixam da sorte. Ah, e para terminar esta conversa enjoada, ouvi numa tevê que “autoridades” querem responsabilizar os comerciantes pela venda indiscriminada dessas buzinas com gás tóxico. Era só o que faltava, daqui a pouco vão querer responsabilizar o pessoal do supermercado porque vendem “vassouras” e alguém pode pegar o cabo da vassoura e... É só o que falta.

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