Abri o jornal e lá estava o título de um encontro de gestores, de profissionais de diversas áreas da administração de empresas: “O Que Move as Pessoas”. Esse era o título. Se o título quer insinuar que alguém pode fazer alguém se mover, o título é inútil. Não é preciso dar voltas no quarteirão para saber do que move as pessoas: as pessoas só se movem diante dos seus interesses. Ninguém move uma palha se não for do seu interesse. - “Ah, Prates, te peguei. Eu conheço pessoas que não ganham nada com o serviço que fazem, pessoas que ajudam os necessitados, pessoas que vivem fazendo caridade e não ganham um centavo com isso”! Leitora, leitora, você já tem idade para não ser tão ingênua. Será que você não sabe que ninguém faz caridade por quem quer que seja senão por si mesmo/a? Olhando de fora, parece que sou naturalmente bom, coração de diamante, bah, como sou uma pessoa dedicada ao bem dos outros... Isso não existe. Minhas bondades, as bondades humanas, resultam de preceitos educativos – pressões – na primeira infância, depois, mais tarde, as religiões vão construindo o alicerce para que os medos que elas nos impõem façam-nos ser mais (falsamente) dedicados aos outros. Medo de “deus”, medo da polícia, medo da Justiça, medo dos conceitos alheios, medo de mim mesmo, medo de que eu também venha a precisar de ajudas, medos, medos e medos nos fazem “bons”; na verdade, trapaceiros da bondade... Tudo o que fazemos só o fazemos por interesse em algum ganho, não há ação sem uma razão antecedente e que também me faça sentir bem, ainda que a ação seja um compromisso desagradável para mim. Mas o efeito “secundário” de fazê-la, um efeito inconsciente, me empurra para a ação, seja ela qual for. Empurrado pelos outros sem que haja algum ganho imediato para mim, não faço nada, não movo uma palha. Há pais que dão de tudo para os filhos e eles crescem para a estupidez. Adiantou ajudá-los? Mas quando esses mesmos filhos têm um interesse por algo não é preciso ajuda de ninguém, nem que lhes peçamos que façam ou deixem de fazer. Eles farão. O que move o ser humano é só ele mesmo e suas razões, mais das vezes escondidas essas razões no porão escuro do inconsciente.A Psicologia nos desnuda, puxa-nos as máscaras. Somos bichos ignóbeis. Afinal, o Cristo não nos chamou de sepulcros caiados? Nós somos os fariseus no templo da vida. Mas... Nossas ações “de bondade” são recebidas por quem precisa como uma benção dos céus. E nesse momento, pouco importa à pessoa ajudada as razões que nos levaram a ser bonzinhos. O que importa para os ajudados é a ajuda. Logo, não travemos as mãos para ajudar, se o fazemos por razões pouco nobres e inconscientes para nós, para os ajudados as ajudas são o céu. Vamos ajudar. Falta dizer Acabei de ler, mais uma vez, que várias igrejas/religiões obrigam mulheres a usar um determinado tipo de cabelo e roupas, ai delas que não sigam as ordens. E os homens? Podem tudo. Mulheres, deixem de ser... (palavrão).