Pessimismo? Não, verdade, pura e simples, nada é nosso. Quando do falecimento da rainha Elizabeth II, vendo as imagens do funeral, um amigo fez uma frase: - “Bah, que horror, ela teve tudo e hoje não tem nada, está num caixão...”! Sim, era verdade, mas alguém também podia ter dito que o que importa na vida é o que temos no aqui e agora, nada mais. Quem é que não sabe disso? Pois é, mas vivemos nos apegos, queremos o que queremos para o todo e sempre... Impossível. E dizendo isso, leitora, lembro-me de uma das tantas frases que tenho na minha caixa de sapatos.

A frase diz que – “O que foi embora e não voltar é porque nunca foi seu...”. Vale para a vida, no sentido maior? Não. Nossa vida é nossa vida e ponto. Mas nas demais “conquistas” que imaginamos ter ou ter conseguido será mesmo que são nossas? Nem vamos longe, o amor. A pessoa a quem amamos é nossa? Claro que não. Nós somos de quem nos ama? Também não.

Nessas questões, digamos, do coração, ninguém é de ninguém. Mas há outras tantas e tantas coisas e questões prosaicas. Um emprego de que gostávamos e perdemos. Era nosso? Nunca o foi. O dinheiro que tínhamos no banco era nosso? Sim e não, haja vista que o gastamos totalmente ou o perdemos, o dinheiro foi embora. Tive vários cachorros, eles eram meus? Não, não eram, estavam comigo e eles sabiam disso.

Por essa certeza da passagem das coisas pela vida é que devemos arejar o nosso andar de cima, a cabeça, não nos apegando ingenuamente a nada, tudo passa, já passou ou vai passar. Não é pessimismo, é realidade. Têm razão, por isso, os que milenarmente pregam o desapego, o desapego de tudo, sem que isso signifique dar de ombros para tudo.

Mais uma vez, a velha história, viver no aqui e agora, com a intensidade do aqui e agora, as únicas certezas que nos podem fazer viver intensamente sem as correntes do medo de perder. No aqui e agora somos totais, e sendo totais no aqui e agora tudo é nosso. Apegos, definitivamente, nos fazem sofrer, ou pelas perdas do que não era nosso ou pelo medo de perder. Somos o que somos no aqui e agora, o mais não é nosso...

PERGUNTA

Do site jornalístico MSN – “Por que cada vez mais casais estão escolhendo morar separados”? Eu respondo: - Porque são frouxos, medrosos, querem manter uma falsa independência, querem se dizer “amarrados” pelo amor, mas não querem dividir os apertos do dia a dia, querem fugir dos compromissos mais imediatos, querem, enfim, ser e não ser ao mesmo tempo. Bobões medrosos.

HORROR

O tempo passa, mas certos vezos continuam iguais, sem uma única vírgula a menos. Ouça esta manchete, não digo a fonte: - “Casamento não exclui uso da camisinha”. Bah, vivo dizendo isso desde que nasci... Mais adiante, diz a fonte: - “Crença na fidelidade e falta de diálogo entre os casais aumentam riscos de transmissão de doenças sexualmente transmissíveis”. Culpa maior? Delas, que não se impõem.

FALTA DIZER

Corri por vários sites de notícias e dei de cara com esta manchete: - “Sinais de que você já teve vidas passadas”. Baita bobagem, tudo alicerçado sobre “alucinações” ou conhecimentos esquecidos de que a mente de qualquer pessoa é capaz. Nenhuma certeza, prova, de vidas passadas. Essa é a maior neurose do ser humano. Vida é só uma, companheiros, o mais é invenção dos “negociantes” religiosos...