Já contei aqui que tenho uma caixa de sapatos transbordante de frases, frases de todo tipo, recortadas de jornais ou revistas ao longo dos anos. Uma preciosidade. Já me disseram que tenho essas frases no computador. Não tenho, elas perderiam o brilho, e o brilho de que falo está no meu poder de manuseio, de pegar os pedacinhos de papel e tê-los na mão, cheirá-los, sentir, enfim, o barulho das rotativas dos jornais as imprimindo para a História.

E, não raro, quando estou sem o que fazer, vou à minha caixa de sapatos. Nunca saio dela sem nada. Ontem, senti saudades e fui até a caixa-mágica, abri-a e pus a mão no escuro, o que viesse seria a conversa de hoje. Sabes o que veio? Uma sentença romana, tão antiga quanto o Coliseu. Diz assim a tal sentença – “Virtus in medium est”. Traduzindo, a virtude está no meio.

Durante muito tempo “engoli” essa frase, hoje não. Digamos que sair da mesa com o prato por metade até possa ser em alguns momentos um bom negócio, um bom negócio para a saúde... Já em outros momentos, a virtude estará em limpar o prato, tão gostoso ele estava... Ou não?

Posso ganhar a Mega-Sena sozinho, mas, para obedecer ao provérbio romano, vou sonhar em ganhar o prêmio junto com outro apostador, eu ficaria com o “médium”, a metade, que tal? Neca, peteca! Ganhar sozinho é bem melhor. O que os romanos chamavam de “médium”, metade, médio, é jogar pelo empate no futebol? Estou fora, quero ganhar e, se possível, por goleada.

Um copo de bebida, nem gelado nem quente, que tal? Beber um refrigerante ou chope nem gelado nem quente, morno, topas? Procuro, procuro e não acho uma saída para esse provérbio, o que, afinal, pode ser bom sendo “médium”, metade, nem isto nem aquilo? Pensando e pensando, sim, há um meio-termo que pode ser bom, talvez na educação das crianças. – “Pai, posso ir lá fora”? Podes, mas não podes ir além do portão...

Meio-termo, não é mesmo? E assim para algumas outras questões. Fora disso, gosto do tudo ou nada, ficar com o “meio” não me faz o gosto, e nem vou dizer do que me lembrei agora, ah, por favor! Nesse caso, quero tudo mesmo, e só para mim... Ou a leitora, o leitor, vai querer dividir? Adivinhe!

Trabalho

Há algumas décadas, a grande motivação no trabalho era obter segurança na empresa, estabilidade; depois passou a ser o dinheiro, o salário, e hoje a motivação maior dos mimimis da mamãe é tempo livre, flexibilização no trabalho. Sem falar que os mandriões de hoje querem andar com quaisquer roupas, sextas-feiras mais curtas, salários lá em cima e nada de cobranças. Geração vadia. Exceções? Quero conhecê-las.

Novidade

Novidade? Não vejo assim, vejo razão e prática. Ouça esta manchete de uma pesquisa da Fundação Getúlio Vargas: - “Personalidade supera técnica no trabalho”. Vale dizer, empresas passam a dar mais importância para habilidades socioemocionais do que para conhecimentos específicos. Faz sentido. Técnicas se se pode aprender, boa personalidade não... E com os mimimis da mamãe que andam por aí, as empresas não terão futuro. Mimimis.

Falta Dizer

Quando alguém quer matar baratas ou ratos em casa, usa o quê? Usa venenos. E ninguém diz que são “defensivos” domésticos. Então, por que pilantras chamam de “defensivos” os venenos da lavoura que não apenas matam as pragas, mas que também produzem cânceres de todo tipo? Respondam para a caixa postal da estupidez... Venenos, sim!