O jantar já estava naquela fase do – “Vai mais um pedacinho aí”? – Não, não, obrigado! O jantar chegara à fase do empurrar os pratos e soltar a língua, aquela conversa que não leva a nada, mas que é tão saborosa quanto o que se acabou de comer. Nenhum assunto e todos os assuntos. Até que...

Alguém ajeitou o cabelo e fez uma frase interessante: - Poxa, agora é que vem o pior para mim, vou para o hotel e ter que dormir sozinha, não consigo, desde muito pequena que tenho medo do escuro ou de estar sozinha num quarto à noite. Tendo alguém por perto durmo como uma pedra... não sei de onde me veio esse medo. Sei que há toda segurança no hotel, não há qualquer perigo, sei bem, mas o meu medo não é de assalto, roubo ou qualquer coisa “material”, é um medo vago, impreciso, horroroso, só sossego quando o sol desponta...”

E seguiu por aí um desabafo a que de há muito os psicólogos estão acostumados a ouvir. Um medo comum e muito especial entre os mais velhos. Os jovens de hoje têm medos, muitos medos, mas diferentes.

Ninguém escapa, todos temos medos e todos os nossos medos vêm da infância, nos foram deixados como herança pelos mais velhos que nos educaram. Educaram? Há medos de todo tipo, desde os mais inacreditáveis aos mais aceitáveis. O ser humano sente medo. No caso dessa pessoa que se queixou da angústia que a esperava, sozinha à noite num quarto de hotel, é o medo metafísico, não é um medo “físico”, de algo “visível”, gerado pelo temor de ter de enfrentar um ladrão, um bandido, por exemplo.

Não digo que seja medo de “fantasmas”, mas a coisa não passa longe dessa ideia absurda. Não há absurdo para os nossos medos. Sim, mas eu posso me curar dos meus medos? Não, não podes. O que podes é aprender a conviver com eles. Quem tem medo de algo vai viver com esse medo, ainda que o saiba irracional, sem bases nem coerência.

Podemos aprender a conviver com os nossos medos, isso podemos, mas ficamos por aí. O melhor é evitar as situações inquietantes, e que fique claro: todos os nossos medos – físicos ou metafísicos – nos vieram da infância, de quem nos “deseducou” e nos fez medrosos. E do que não temos medo, nunca teremos.

Lampião

Falei de medos aí em cima. Volto a eles, afinal, os medos são humanos, melhor é entendê-los. Nossos medos metafísicos já fazem parte da nossa segunda natureza e segunda natureza vira natureza. Fora disso, como dizia Virgulino Lampião, o cangaceiro, - “Quem tem medo se enterra vivo”. Sábio. O medo nos sepulta para as conquistas de que somos capazes. E coragem não é ausência de medo, é ir à frente apesar dele. É para poucos...

Machões

Um técnico em segurança do trabalho me contou sobre os trabalhadores que mais se acidentam, os “machões”. Os “machões” são caras que acham que não precisam de segurança, tolos da falsa coragem, desdenhosos dos equipamentos de segurança. São esses, mais das vezes, os que se arrebentam ou enlutam famílias. Aliás, esses tipos são assim para tudo. Precisam ouvir umas boas...

Falta dizer

Coisa curiosa, cada vez ouço mais mulheres, jovens mulheres, dizendo que está difícil encontrar Homens. Muitas estão abertamente dizendo que é bem melhor ficar sozinhas, que os caras andam muito chatos, mimados, com muito pouco de Homens. A rapaziada que se coce...