Maioria mentirosa

Colunistas

Por: Luiz Carlos Prates

sexta-feira, 04:00 - 10/06/2016

Luiz Carlos Prates
Esses jovens todos que andam por aí são uns trôpegos existenciais, raras exceções. O desagradável é que toda vez que se fala em exceções todos levantam o dedo: eu sou exceção. E assim dizem os pais sobre seus filhos, exceções. Esta conversa tem uma razão, a mesma, a de sempre toda vez que falamos em Vestibular. Acabo de saber que o número de candidatos por vaga para o Vestibular de Medicina pelo Sistema de Seleção Unificada chegou a 108 candidatos por vaga. Um caso de polícia, de polícia moral. Esses candidatos todos, 108 por vaga na Medicina, não são jovens vocacionados para o sacerdócio que deve ser a Medicina. São atrapalhões, abobados existenciais que estão buscando status, admirações, essas bobagens todas que os de cabeça frouxa costumam fazer na hora de escolher o Vestibular. Ou a leitora pode imaginar que são 108 candidatos por vaga e todos eles com personalidade e caráter para a Medicina? Claro que não. Em qualquer turma de formandos em Medicina, seja a turma que for, você não tira mais que dois ou três de fato com personalidade e caráter para a Medicina. O resto são bufões, vão virar esses “médicos”, maioria, que andam por aí, um horror. Vale para os candidatos ao Vestibular de Direito, de Administração, de quase tudo, são indecisos que vão para os cursos de boa apreciação social ou para os cursos mais fáceis... Esquecem, ou desconsideram esses frouxos, que o casamento com qualquer atividade profissional tem que ser por amor, se não for, ganhe a pessoa o que ganhar, será sempre mal paga. E bem feito, se forem infelizes. Afinal, são todos jovens livres, que sabem muito bem da vida, ah, se sabem... então, que sejam também espertos para buscar a atividade de suas competências potenciais, que ouçam o coração e não a voz frívola dos “amigos” e dos interesses mesquinhos de ordem familiar. Mas que 108 candidatos por vaga na Medicina é caso psiquiátrico, sem dúvida. Paciência, os levianos da vida têm que pagar mais tarde o preço de suas leviandades, como exemplo maior esse, o de escolher por status a vaga na Universidade. FUTURO A idade nos traz sabedoria. O Pelé está vivendo essa fase, a do “descobrir” que o acúmulo de objetos e troféus recolhidos ao longo da vida é inútil. A partir daí, muitos começam a se desfazer de “símbolos” que já não servem mais, objetos de um passado já distante. Mas o desfazer-se é também um sinal perigoso. Pelé está leiloando muitos dos seus troféus recebidos ao longo da carreira. Não fazem mais sentido para ele. Compreensível, mas... Ocorre que quando decidimos não querer mais o que nos alimentou a vaidade, corre-se sério risco de vida, é como que um predispor-se a “subir aos céus”... É de pensar. FALTA DIZER Na palestra que fiz em Balneário Camboriú para técnicos do mercado imobiliário, impressionante o número de mulheres na atividade. Até há pouco eram quase só homens na atividade, agora elas estão em meio a meio. Acabou o tempo de mulher se realizar no casamento/cozinha. Acabou.
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