Vida e surpresas

Colunistas

Por: Luiz Carlos Prates

sexta-feira, 12:30 - 16/02/2018

Luiz Carlos Prates

Ser otimista é uma coisa, ser estúpido é outra. Devemos ver a vida, os desafios, com bons olhos, sempre que possível o lado positivo do que nos cerca ou pode cercar, mas... Isso não quer dizer que devamos usar viseiras a nos proteger de ver a vida como ela é... Dois fatos me fizeram coçar o queixo durante os últimos dias.

Um deles aconteceu nas arquibancadas da Marquês de Sapucaí, no Rio. Foi durante a primeira noite de desfile das escolas de samba. Uma senhora, quase 70 anos, estava na arquibancada, com amigos. Abanava-se, fazia calor, sorria, estava numa festa, vivia a felicidade do Carnaval, pois não? Pois é, mas durante a madruga sentiu-se mal e... morreu ali mesmo. O coração a tirara da folia.

Não é curioso que alguém morra do coração no meio de uma festa, afinal, não quero crer que a senhora tenha saído de casa já se sentindo mal, claro que não. E o que aconteceu? Nada demais, apenas a vida e suas surpresas.

Ao saber da notícia, pensei nos princípios budistas do viver no aqui e agora, só no aqui e agora; o ontem não temos mais e o “daqui a pouco” é um risco, um pulo no escuro das incertezas... Santo Deus, sair de casa para ir ao Carnaval e morrer...

E o outro fato, parecido, ainda que diferente, aconteceu em São Paulo. Uma menina nasceu de parto prematuro. Exames daqui, exames dali, tudo superficial, como a cara da médica ou médico que os fez, e... a criança foi dada como morta. Colocada num caixãozinho foi levada para o IML. Horas mais tarde, alguém no IML viu que a menina não estava morta, estava viva... Rebuliço. A criança foi devolvida ao hospital, não imagino a cara da pessoa que a deu como morta, ah, pegar esse ou essa doutora, ah, pegar, e já pegar pelos cabelos... Ah...

Em síntese, é a vida. Uma pessoa sai de casa para se divertir e não volta, morre no caminho, caminho cheio de tamborins, cantos, danças e... felicidades, pelo menos aparentemente.

E a outra pessoa – pessoinha – nasce viva e é dada como morta; não fosse o olho clínico de uma funcionária do IML, a pobrezinha da menina teria sido enterrada, viva...

De fato, ninguém tem a mínima ideia do seu prazo de validade existencial, pode ter muito pela frente ou quase nada... Dessa incerteza, sobra-nos a sabedoria: vivamos plenamente no aqui e agora. É só o que temos.

Fofas

Quase todos os dias levo livros que já li, reli e tresli para deixar na empresa para o pessoal se divertir, escolher o livro que lhes tiver a cara, mas... todos passam ao largo dos livros. Até que dia destes uma garota pegou um dos livros, fiquei curioso. Sabes que livro era, leitora? - “101 ideias de como paparicar o marido”. Não são umas fofas? Aliás, é bom os homens lerem esse livro para saber como andam sendo tratados pela “patroa”...

Falta dizer

Queres ser uma pessoa simpática, agradável ao cheiro alheio? Descubra nas pessoas que andam por perto motivos para elogiá-las, motivos verdadeiros, é claro. É tiro e queda, você terá uma legião de fãs.

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