O nome dela não pode ser mais apropriado: Maria. É freira. Tem 74 anos e uma longa vida de serviços sociais prestados pelo mundo. Numa entrevista à revista "Claudia", Maria fez uma declaração e me deixou irritado, tão irritado que estou aqui para desabafar, leitora/or.

Antes de dizer o que disse a freira, para quem não a leu na "Claudia", devo dizer que chegamos ao fundo do poço, do poço moral, um poço que, a princípio, não tem fundo, vai indo, vai indo, como no Brasil de hoje.

Pois nesse poço moral sem fundo em que estamos, virtudes passaram a ser constrangimentos. Já conto da Maria.

Se você chegar por aí dizendo que é uma pessoa pontual nos compromissos, que não bebe, que usa ou impõe o uso da camisinha no sexo, se você disser que trabalha de boa vontade, que respeita a lei, que cuida dos idosos em necessidade, que você, enfim, é uma pessoa boa, de bons princípios, ah, cairá no riso alheio, será apontada/o como idiota, brega, do tempo antigo... Virtudes viraram atraso, haja vista os canalhas, todos os suspeitos ou acusados na Lava Jato, absolutamente todos dizendo-se inocentes.

Bom, mas o que a freira Maria disse e que me irritou foi que muitas garotas ficam extremamente envergonhadas quando dizem que “ainda” são virgens. E deu o exemplo de uma guria de 14 anos. 14 anos é idade de brincar de boneca, de ir a festas no pátio da igreja sábados à tarde... De ir para a cama, mais tardar, 9 da noite... Quem dera, hoje, gurias de 14 anos têm vida sexual de fazer corar “moças da noite” de algumas décadas passadas, bah, de fazer corar...

Virtude virou vergonha. E muitos pais fingem que nada sabem, que nada veem ou desconfiam... Como não querem desconfiar que os “machinhos deles” não bebem de cair nas baladas e botecos, não querem ver que os tais machinhos consomem drogas, fazem sexo promíscuo, nada, são todos bons meninos. Que pais idiotas. E as gurias, claro, mesma coisa.

Quando chega alguém de pouca idade e diz que “ainda” não fez isso e aquilo, bah, é uma vergonheira danada... A que ponto chegamos! A que ponto chegaram os pais na leniência educacional/caseira. Fazer filhos sabem, educar não. Claro, educar dá trabalho e para educar o educador precisa, ele próprio, ser educado. Ponto. E acho bom. Vergonha de ser virgem, só o que faltava...

 

COACHES

Hoje estou para ficar irritado (hoje?). Abro um site de notícias e lá está a publicidade: “Homens e mulheres acima dos 30 anos estão se tornando coaches”. Bolas, para alguém ser coach precisa ter, no mínimo, 40 anos de atuação em alguma área. Com isso, o sujeito terá o que dizer sobre um determinado trabalho. Foi assim que os americanos criaram os “coaches”, a partir dos veteranos dentro das empresas. Aqui, bobões de fraldas, eles e elas, se prestam a ensinar alguma coisa... Ah, vão primeiro crescer e ganhar méritos profissionais.

 

ALIÁS

Sobre esse assunto aí de cima, vale uma frase do escritor Hermann Hesse: - “Ninguém pode ver nem compreender nos outros o que ele próprio não tiver vivido”. Pronto, Hesse disse tudo. Como é que alguém sem anos e anos de experiência em alguma área pode nos ensinar a viver e trabalhar bem? Vão crescer, “coaches”!

 

FALTA DIZER

Há dois tipos de ricos, raramente os dois na mesma pessoa. O primeiro é rico em dinheiro, o segundo na cabeça. O segundo tipo, uma vez rico, nunca mais será pobre... Que tal? E essa segunda riqueza todos podem ter... Todos. Ouviram, jovens?