Uma professora

Colunistas

Por: Luiz Carlos Prates

quinta-feira, 12:30 - 01/02/2018

Luiz Carlos Prates

A notícia é destes dias. O nome dele é Chris Young. O nome dela é Lynn Ward. O fato aconteceu na cidade inglesa de Corby, no ano de 1978. Chris era simplesmente mais um em sala de aula, um dos últimos, fica melhor dizer. Ele tinha 12 anos quando a mãe morreu.

Chris já era um guri “daqueles” em sala de aula, com a morte da mãe afundou, desnorteou-se. O pai, que já bebia, tornou-se alcoólatra incorrigível. Pobre do Chris, ficava um dia com uma tia, outro dia com outra e sua vidinha de 12 anos capotou... Ele era uma tristeza e um problema em sala de aula, mas...

Havia uma professora de inglês na turma onde estava o Chris, a professora Lynn. Lynn foi com tudo para cima de Chris, disposta a ajudá-lo no que fosse possível. Quase tudo. Chris foi se recuperando, se recuperando, se recuperando e... em poucos meses estava entre os quatro melhores da turma, ele que era, em inglês, curiosamente, o último da classe. Resumindo a história, Chris cresceu para a vida e... agora está lançando um livro, um livro sobre a vida e... saiu atrás da professa Lynn, quer achá-la e tê-la ao seu lado na noite do lançamento do livro.

- Ah, Prates, mas é uma história comum, simples! Talvez. Mas o que me trouxe até você foi sublinhar mais uma vez a importância daquela mulher lá na frente da classe, a professora. Ela pode mudar vidas, salvar vidas, entrar definitivamente para a vida de um aluno ou de muitos. Uma professora não ensina apenas esta ou aquela matéria, ela ensina sobre a vida, a viver. Pode salvar vidas com sorrisos, compreensão e braços abertos.

Quem for avaliar uma professora, um professor, pelo salário dela ou dele não haverá de fazer boa avaliação. Professoras valem pelas asas invisíveis que têm, asas de anjos da paciência, da compreensão, da tolerância e da missão na vida. Quem se lhes compara? Chris a esta hora já deve ter reencontrado a fada madrinha Lynn, afinal, quem não se pode hoje encontrar pela Internet?

De minha parte, tenho comigo nas lembranças e nos ensinamentos de vida três irmãos maristas, verdadeiros sargentos da disciplina, o irmão Crestani, o irmão Narciso e o irmão Diógenes. Dei muitas voltas para fugir deles, mas bendigo à vida por não ter conseguido. Eles me fizeram descobrir os melhores horizontes. Abençoados irmãos. Abençoadas professoras.

Televisão

Falo da TV porque ela é mais populacho. Um horror, a programação. Só baixaria, gente suja, sem modos, sem educação, sem talento, sem nada. Essa a regra em todos os programas de variedades ou de humor. Sem falar que já estão entrando nessa no jornalismo. E agora um sucesso de “música popular” tem como refrão – “taca bebida, depois taca a pica, depois abandona na rua...”. Tem cabimento esse machismo de banheiro? Eu queria a todos na “minha delegacia”, iam “cantar” que era uma beleza, iam!

Editar

Você sabe que na televisão faz-se edição de imagens, trechos de reportagens são cortados, outros são emendados e assim se tem uma história resumida e com o melhor conteúdo. Temos que fazer o mesmo com a nossa fala, especialmente, quando vamos contar de nossas fragilidades ou intimidades. Sem “edição”, bah, de jeito nenhum. Se há algo que precisa sempre de rédea curta é a nossa língua. Um perigo.

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