Salões de beleza

Colunistas

Por: Luiz Carlos Prates

sábado, 12:30 - 17/02/2018

Luiz Carlos Prates

Achei que eu tinha descoberto uma novidade. Passaram-se algumas horas e encontrei uma colega, a Helena. Contei a ela da minha descoberta e ela me olhou séria, quase preocupada: - “Prates, mas em que século tu estás vivendo”? Ué, por quê?

E a Helena me disse que o que eu tinha descoberto como novidade é coisa tão velha quanto a lua no céu... Eu estava me referindo, e foi isso o que contei a Helena, aos salões de beleza dos grandes centros que sofisticaram o atendimento, oferecendo “agora” psicoterapias de apoio às clientes.

“Descobri” que salões de beleza (desses de cortar e pintar cabelos, fazer maquiagens, unhas, essas coisas...) agora oferecem junto com as estéticas terapias para melhorar a vida sexual das clientes, aumentar-lhes os prazeres na vida e a viverem de modo menos tenso...

Quando as clientes chegam ao salão já vão informando sobre seus signos de nascimento e revelam cinco coisas de que muito gostam na vida... A partir daí, num tratamento holístico, envolvendo muitas questões da personalidade, a cliente poderá ser então tratada e ajudada para uma vida melhor... Foi mais ou menos isso o que eu “descobri”. Mas a Helena me disse que isso é coisa muito velha, eu é que estava atrasado.

Ah, é? Coisa curiosa, a pessoa vai cortar e pintar o cabelo, mas na verdade o que ela quer é soltar a língua, falar muito de si mesma e ser ouvida pelo cabeleireiro/a, é isso? Sempre foi, me disseram. E agora o leque das ofertas está mais aberto, a cliente quando vai ao salão vai na verdade para falar e ouvir, falar e ouvir... O cabelo e o resto lhe são secundários?

Encurtando a conversa, do que as pessoas estão precisando mesmo é de confidentes e de desabafos, tudo para aliviar o peso das encrencas existenciais diárias. Estão buscando felicidade... Mas aqui as mulheres estão grosseiramente erradas, não se procura a felicidade num salão de beleza, numa igreja ou na casa da mãe joana.

A felicidade só pode ser procurada e achada dentro da própria pessoa, em nenhum outro lugar. Talvez tenha sido por isso que achei que era novidade o que eu ficara sabendo... Novidade nunca foi, as pessoas andam à procura da felicidade por todos os cantos desde que nasceram, nunca a vão encontrar, nunca se não a procurarem dentro de si mesmas. Bobonas.

Sexo

Quer dizer que há salões de beleza em São Paulo, por exemplo, onde a cliente pode ficar sabendo sobre como melhorar sua vida sexual? Desculpe-me, ninguém nos pode ensinar sobre isso. Esse voo do sexo funciona como piloto automático, quando estamos “ligados” tudo dá certo e não é preciso um “professor” para nos ensinar. O diacho é esse “quando tudo dá certo”, coisa raríssima de acontecer, dentro e fora do casamento. O que mais anda por aí é gente sendo “empurrada” para o sexo, empurrada como carros sem bateria...

Falta dizer

Falei de salões de beleza? Falemos de cuidados com o corpo, nossa embalagem social. Cabelos em ordem, (sem modismos ridículos) roupas adequadas à boa cidadania, linguagem limpa e gestos educados, comedidos... Hmmm... Por aí... Raros!

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