Acabo de reencontrar uma frase que um dia recortei e guardei na minha caixa de sapatos cheia delas e... Só ela sabe quantas e quantas vezes passei os olhos por ela, pensamos juntos...

A frase me fez lembrar de uma outra, de Arthur da Távola, que encerrava um programa musical na TV Cultura dizendo que – “Quem tem vida interior não sente solidão”. Vida interior é o oposto de vida vazia. Mas espere um pouco, o que é vida vazia? Ora, vida vazia é a vida humana. Tão vazia que é eivada de desesperos, desesperos que nos fizeram “descobrir” o trabalho, a mais abençoada das anestesias contra a consciência da finitude. Tudo o que fazemos – e quanto com mais entusiasmo melhor – visa a essa anestesia... A consciência da finitude abate. Aliás, veio daí a necessidade humana de criar as religiões, todas criadas aqui mesmo por nós, humanos, em desespero diante do “além vida”...

A frase que reli é mais que uma frase, é uma sentença. Diz assim, entre palavras escolhidas e palavras cortadas: - “A ambição é o medo do vazio interno... A ambição quer continuar armazenando coisas dentro de si para poder esquecer o próprio vazio... As pessoas continuam desejando mais da mesma coisa que já têm...”

Muito mal comparando, lembrei de mim e minhas camisetas. Durante muitos anos apresentei programas de todo tipo no rádio. E incontáveis entrevistados me traziam camisetas de suas empresas ou eventos. Eu gostava e as levava para casa, para usar em casa ou dormir com elas. O tempo foi passando, passando, e eu cada vez querendo mais camisetas, virou uma ambição de colecionador. Um dia fui contar as camisetas; mais de 500... Sim, mais de 300, não havia como usá-las numa única encarnação. Mas o problema não era mais esse, era a mania, a “ambição” de ganhar mais uma, mais uma, mais uma camiseta... Até que me dei conta e comecei a me desligar delas, a dá-las. Algumas dessas camisetas, todavia, e só eu sei quais, são lembranças e abençoadas, minhas e minhas... De resto, parei com a loucura das camisetas.

Era uma “vida vazia” querendo ser preenchida com camisetas e mais camisetas, mas podia ser de outra coisa qualquer. Ainda bem que me dei conta. Hoje tenho outras manias, e elas continuam vindo dos meus vazios... Não temos saída. Ou temos?

Ociosidade

Dizem que a ociosidade é a oficina do diabo. Quando não temos o que fazer olhamos para as paredes da vida. E as vemos em branco, sem sentido. Já a ocupação, seja no que for, nos ocupa a cabeça e nos faz sair de nós mesmos. De outro modo, vamos acabar mordendo o cotovelo... Não é outra a razão das coleções. O colecionador vive com a cabeça ocupada... com a próxima peça a ser colhida. Ainda bem. Aliás, sempre desejei colecionar notas de 100 dólares, mas era muito difícil conseguir as “peças”... Desisti.

Falta dizer

Todo mundo bem aí em casa? Todos podem ir e vir? Trabalho, saúde, o necessário, enfim? E estás te queixando do quê? E essa cara de poucos amigos, qual a razão? Cuidado. É muita estupidez cara amarrada por nada que de fato valha a pena...