Você já deve ter perdido alguns quilos de tanto me ouvir repetir a velha frase que tirei de Baltazar Grácian, o padre jesuíta, (1601...) escrita no livro A Arte da Prudência, magnífico. Grácian dizia: - "Fala, se queres que te conheça”! Essa frase alicerçou as bases da psicanálise. Ela é irretocável.

Você pode não se dar conta mas avalia as pessoas, num primeiro momento com elas, pelo que dizem e como dizem. Ninguém escapa, por mentirosa que seja a pessoa. Ela se trairá por todos os poros da língua.

Quando vamos para um encontro social onde desconhecemos muitas das pessoas que lá estão ou estarão, cuidemo-nos. É bom repassarmos o roteiro dos bons modos na fala para que possamos ser, de certo modo, um sucesso social. Escovemos a língua antes de sair de casa.

Só um louco vai chegar numa reunião social e abrir a boca sobre seus problemas domésticos, suas azias de estômago, salários, política, religião e correlatos. Esses assuntos ou não interessam aos outros ou são fontes de atritos e antipatias imediatas entre recém-conhecidos...

Do que falar então numa reunião social? Os manuais de boas maneiras são cansativos em repetir alguns aspectos, por exemplo... Falar de família, sim, pode falar, mas... Falar de quantos são na família, homens, mulheres, onde moram, profissões, não mais, não mais... Falar de trabalho pode falar, mas... Das características do trabalho, das exigências acadêmicas ou não... Não mais. Deus o livre falar de salário, seu ou dos outros, é constrangedor e falta de educação. Falar de recreação, lazer, claro que pode. É assunto leve e que costuma interessar a todos. Mas sem dizer, também, que você só usa tênis de R$ 1.200,00 o par...

Falar de sonhos, sonhos de vida, vale, pode falar, mas... sem detalhes do tipo: - Ah, o meu marido, minha mulher, faz cara feia quando eu falo sobre isso... Aquelas coisas dos detalhes lá de casa, isso nunca. Enfim, esvoaçar os assuntos, não descer a detalhes, não falar mal de ninguém, não criticar a empresa onde trabalhas, nada que o/a possa levar a um mau julgamento de parte da outra pessoa que mal a está conhecendo.

Com leveza e simpatia “agradar” e nunca causar impressões dúbias. Aliás, vigiar a língua é um grande negócio para quem quer preservar o casamentos dos temporais e das caras feias. Quem vigia os lábios, preserva o coração da angústia, dizia Salomão, filho de Davi. Está na Bíblica. E dica muito importante é ouvir as outras pessoas, muito, muito, muito, mais do que gostaríamos que elas nos escutassem. Toda vez que damos ouvidos a uma pessoa, ela sai dizendo que somos ótimos. Toda vez que só falamos de nós, os outros saem dizendo que somos uns chatos, insuportáveis. Você está de que lado?

 

FELICIDADE

Frase atribuída a Aristóteles, o filósofo grego: - “A felicidade consiste em viver bem e fazer o bem”. Volta aqui, Aristóteles, tu não disseste como é que se vive bem... Aí está o segredo, cara. Como é que se vive bem, só com dinheiro, sem dinheiro, só de amor, como, como, como?

SEXO

Levantei o dedo. Professor, o que é sexo? Com quem se faz sexo? O que é errado no sexo? – Ah, e existe “psicopatologia sexual”? Ou o pessoalzinho está rasgando os compêndios das “doenças” do sexo, não das doenças propriamente ditas, mas dos modos e loucuras, hein?

FALTA DIZER

Dizem as manchetes que “faltam padres” na Amazônia. Melhor deixar assim, afinal, foram os “religiosos” que dizimaram nossos índios e sua cultura. E tudo começou com as malditas caravelas de Cabral.