Há certas coisas que me irritam muito, coisas que transcendem a estupidez, coisas de mulher... E me apresso a explicar do que quero falar antes que a leitora rasgue o jornal... Algo que bem se insere no que chamo de estupidez é a tal crise dos 40 anos. Acabo de ler uma nota de anúncio de reportagem de uma emissora de televisão que dizia assim: - “Crise dos 40 anos. Vamos falar sobre essa fase e dar dicas de enfrentar a crise e ainda traçar metas reais para a outra metade da vida”.

Antes de tudo, que fique claro, os 40 anos não são a metade da vida, a vida não tem metade. Os animados da existência não se limitam a viver 80 anos... Fui claro? Acho bom. A outra questão, a questão que de fato vale, é que nunca ouvi um homem se queixando de crise aos 40 anos, olhando para o céu e suspirando – “Ai, meu Deus, estou chegando aos 40”! Nunca ouvi. Por que então a bobagem de os 40 anos serem um martírio na vida das mulheres, um divisor existencial?

O homem de 40 anos é um gatão e a mulher uma iniciante à decadência existencial, é isso? Estupidez pura. Ademais, essa preocupação com a idade só pode ter a ver com as outras mulheres, com a competição entre elas, não posso crer que uma mulher de 40 anos não se veja como uma baita mulher no espelho.

Gatinhas não têm cabeça, aos 40 a mulher tem mais que cabeça, tem vida no corpo e coração ardente, ô... Se não for assim, será uma pobre coitada que vive pelo espelho e pelo calendário. As grandes mulheres nem espelho têm. E não estou dizendo o que digo para ser simpático às “quarentonas” (como dizem) ou ganhar elogios e ser tomado por um bom sujeito, longe disso. A exemplo da solidão, que passa longe das pessoas que têm vida interior, os 40 anos, ou mais, bem mais, não abatem as pessoas que se amam e se envolvem com outros crescimentos na vida, como o da vida interior e o das grandes paixões por uma causa, seja trabalho ou o que for.

Quem vive pelos ditames do espelho é uma pobre sofredora, um ser menor. Tens 40 ou mais, companheira? Ah, então deves ser uma bela companheira para “muitas coisas”, um bom chimarrão e uma conversa daquelas... Bah, gatona! E tu sabes, a vida começa aos 40... Tempos A televisão está um horror a cada dia que passa. Os talentos estão em extinção. Dizem dos piores palavrões de bordeis e tudo numa boa para os “babacas” da direção. A mais recente estupidez ouvi de uma senhora chamada de Casé.

Ela dizia, falando de dietas, que aquela feijoada que comemos nos lambendo só faz bem ao gosto por 5 minutos, depois fica o resto da vida nos incomodando “na bunda”. Desliguei e fui para o boteco, lá se fala com mais cuidados e respeito. Grossa. Falta dizer Um jovem me procurou e perguntou como ele podia falar em público, onde fosse, com entusiasmo e ser ouvido. Não lhe tive outra resposta: tendo paixões e falando sobre elas. Não há outro jeito.