A notícia é desta semana. Mas ela não é nova. Ela está, isso sim, de roupa nova, com novos índices. Mas é coisa velha. E antes de puxar a cortina desta nossa conversa, deixe-me dizer a você ou a alguém que você conheça que se eles podem, você ou alguém seu também pode. Na verdade, vale para qualquer pessoa, especialmente as mais pobres...

É o seguinte, a Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico, instituição internacional, mandou-nos - mais uma vez, a velha notícia, com roupa nova, já disse e que nos faz enrubescer. Diz assim a manchete: - “Apenas 2,1% dos alunos pobres do País têm bom desempenho escolar”. E esse desempenho é medido entre países de todo o globo, e avalia especialmente matemática, leitura e ciências. Vamos de mal a pior e isso não é de hoje.

- “Ah, mas essa avaliação, Prates, envolve escolas públicas”, você pode dizer. Pois garanto que multidões de babacas de colégios particulares também não sabem ler, não compreendem o que leem. Babacões, sim.

Agora, o que interessa é o seguinte: esses 2,1% de alunos pobres, miseráveis financeiros, obtiveram nota 3 nas avaliações internacionais, a nota necessária para que um jovem possa ser o que quiser mais tarde. Potencialmente, esse jovem tem o poder de ir longe... Sim, mas a pergunta que intriga é esta: por que eles conseguem notas altas, proficiência, competência em matemática, ciências e leitura e os outros 98% não?

Porque esses poucos jovens brasileiros têm vontade e vergonha na cara. Se eles podem, todos podem, imagine então os calças-frouxas da classe média para cima. Se das escolas pobres, escolas com todas as precariedades imagináveis, podem sair bons alunos, por que não nas demais escolas e com todos os jovens?

Já disse, inobstante todas as fragilidades dessas escolas pobres elas não são capazes de impedir que um jovem movido por grande vontade e vergonha na cara chegue onde bem entender na vida. Esses jovens deviam ser procurados e estudados, deviam ter suas caras nas capas dos jornais, deviam ser glorificados, mas não... Os imbecis da imprensa abrem espaços para a Marquezine e o Neymar...

Jovens “pobres” e competentes, parabéns a vocês, um beijão de admiração. Vocês são. A vergonha que vocês têm na cara os levará ao Olimpo da vida. Amém.

Dizer

Sim, dizer isso aos filhos – “Olhem aqui, camaradas, não me venham com essas lorotas de a professora não gostar de vocês, a escola ser muito chata, isso e aquilo, não venham com essas balelas. Estamos entendidos? Acho muito bom”! Quem estuda, quem tem foco, vergonha na cara, tira a nota que bem entender nas provas. O ano letivo “ainda” está começando. Não aprontem os vadios desculpas para mais tarde, quando já estiverem com a corda das notas baixas no pescoço. Ouviram bem, vadios?

Falta dizer

No que você é bom? Faça disso a sua vida. – Ah, mas não dá dinheiro, você pode dizer. Tudo pode dar dinheiro e vida se for feito com amor e muita competência. O amor produz criatividade, que faz diferença no trabalho. O que anda por aí são hordas de perdidos existenciais, frouxos, dinheiristas vazios...