Leio muitas histórias, histórias de vida, questões a envolver pessoas de todos os tipos e estratos sociais. Vivemos numa sociedade de hierarquias, vivemos numa escada, cada um no seu degrau, podendo subir ou descer, mas numa escada...

A escada tem degraus diferentes, todos em ordem, hierarquia, hierarquias sociais. E não me venha alguém dizer que somos todos iguais. Não somos, e as sociedades ao longo da História sempre tiveram suas pirâmides... E nem é bom lembrar quem ficava lá embaixo nessas pirâmides? Ficavam?

Já explico aonde quero chegar. Dia destes estive por razão especial numa grande instituição de saúde em Florianópolis e lá encontrei, ele não me viu, mas fiquei sabendo de tudo, um grande empresário, grande mesmo, você o conhece, com certeza. E por que ele estava lá? Questões sérias de saúde. Ué, mas ele não é riquíssimo? É, é muito rico, capaz de comprar o hospital, com o pessoal técnico junto, mas... não consegue garantir-se com saúde, pode comprar os remédios mas não pode comprar ou garantir a saúde. Não é assim que se diz dos ricos desde os tempos de Adão e Eva?

Curioso, o ser humano, costumeiramente, só se lembra do santo quando troveja, só se lembra da mortalidade ou das fragilidades da condição humana quando se vê jogado contra a parede por um “vento” mais forte, um “vento” que o dinheiro não consegue evitar.

E dizendo o que digo, lembro do sábio francês Rosseau que costumava repetir que “Cada vez que queremos alguma coisa que não podemos pagar, nos tornamos mais pobres, quaisquer que sejam os nossos recursos”...

Vendo aquele cidadão poderoso nos corredores do hospital, com cara de papel amassado, mais uma vez fiquei pensando na frágil condição humana. Nós costumamos, a maioria, pelo menos, buscar poder, força, segurança pelo patrimônio material que, de fato, tem muito poder mas não tem, não costuma ter, poderes que nos possam ajudar em horas especiais. E esta verdade nos devia abrir a consciência para as verdadeiras riquezas da vida: saúde, família, trabalho, amigos, liberdade... Tudo o mais é secundário ou complementar. Mas lembramos pouco dessa riqueza...

Já contei aqui a história da mulher mais rica da Europa, ela não tinha qualquer patologia a lhe justificar um grave transtorno emocional, mas mesmo assim matou-se... Algum grande vazio a estava matando antes... Ser rico é ter o “bastante”, isto é, o que nos basta, e mais que isso só a paz mental. O resto não tem valor.

Verdade

Aliás, uma verdade bem velha. Os americanos confirmaram no bico do lápis, faz tempo, que uma caixa eletrônica ali no hall de entrada do banco substitui 37 funcionários de carne e osso. E essa é a tendência galopante nas tecnologias. Ou as pessoas se adaptam rápido a esse mundo apressado ou vão ficar irremediavelmente para trás. Todos os setores estão entrando nessa.

Falta dizer 

E agora, estúpidos, no Congresso querem proibir o aborto até para mulher estuprada. Ah, pegar esses caras e fazê-los “gemer”. Quero ver eles defender essa lei com a filha deles estuprada. São religiosos? Malditos...