Leitora, não vire a página, não vou falar de futebol, você pode não gostar, vou só me valer do futebol para chegar onde quero. Certo? Combinado, não vou falar de futebol, fique tranquila.

O que preciso dizer é que estava demorando... Bota demorando nisso. Estava demorando para que os babacas começassem a dizer que o Brasil é favorito para ganhar a Copa. E isso me irrita. Ainda não curamos as feridas do 7x1 em casa para a Alemanha, última Copa, e já estamos esfregando as mãos, “somos favoritos, vamos ganhar, com certeza...”, dizem os idiotas. E era aqui que eu queria chegar.

Não temos (eles, os abobados não têm) esse mesmo entusiasmo para as demais vivências do cotidiano. Muitos pobres vivem dizendo que seus filhos não têm como entrar numa universidade federal, que isso é coisa de rico, de gente poderosa, isso e mais aquilo. Idiotas. Não sabem que a chave de todas as portas são os esforços, estudos, foco, vergonha na cara? Ou há alguma lei que proíba alguém de entrar numa boa faculdade? Ou há alguma lei que proíba alguém de qualificar-se ao ponto de se tornar um disputado e interessante profissional no mercado?

E outra coisa que muito me irrita é esse exagero de “ou ganhamos a Copa ou é fiasco na certa...”. Sim, e se formos vice-campeões jogando bem e sem deixar grandes decepções técnicas? Não serve, o brasileiro sairá quebrando paradas de ônibus. Ah, é? E por que não fazem assim com tudo o mais? Porque são pífios, frouxos politicamente, porque rangem dentes diante de processos de qualificação para trabalhar na empresa que os paga, etc., etc. Por que não somos exigentes na educação dos filhos, na ordem pública, nos deveres cumpridos e nas obrigações de toda sorte? Por que somos inflexíveis e exigentes só no futebol? Respondo: povo azedo, matreiro, indolente. Brigamos pelos secundários e fechamos os olhos para os fundamentais. Bah, que nojo, vem aí mais uma Copa do Mundo, e o que mais vamos ver serão bandeiras brasileiras nas sacadas e “bermudões” com camisetas da Seleção. Bem feito! Semeiam? Colham. – Ah, e que a Globo pare de proibir os comentaristas de falar que este ou aquele jogador foi mal convocado ou que não joga ou não está jogando nada. É proibido pelos patrocinadores. E ainda querem ganhar a Copa, escondendo verdades...

Saturação

E o povinho nem desconfia. Todos os dias, num site ou outro, num jornal ou outro, aparece uma foto do Neymar com alguém ao lado, ou numa festinha com a “namorada”. Tudo ajeitado pelos patrocinadores, eles forçam a barra e o “jogador/anunciante” está sempre vendendo produtos... Quando um cara joga mais nas manchetes que no campo, vive mais no departamento médico que dentro da grande área, cuidado. Podemos estar sendo formidavelmente enganados. E eles, os assim, cada vez mais ricos...

Falta dizer

Quanto menos jornal uma pessoa lê, mais ela vai depender do que os outros dizem. No social, no familiar e no trabalho. Sem falar em que vai perder o charme de uma boa conversa com ele ou ela... hummm