De fato, nada há de novo abaixo do sol. As histórias humanas se repetem cansativamente e… mesmo assim as pessoas continuam fazendo o que fazem, posto que muito errado e mais das vezes.

Tenho andado por estes dias em salas de espera, corredores e quarto de hospital, acompanho uma pessoa muito próxima de mim, muito, muito próxima. E nessas idas e vindas, encontro pessoas de todos os tipos, pacientes e visitantes.

Dia destes, um sujeito andava “passeando” por um corredor cheio de tubinhos nos braços e num ombro, ao lado dele uma mulher; e lá se iam e vinham pelo corredor, no exercício determinado pelos médicos. Numa dessas, trocamos cumprimentos e… começamos a conversar. Nada de novo. Mesmo assim, saí com ideias sublinhadas na cabeça, ideias marcadas com o grifo de certas verdades humanas, verdades que mais do tempo nos passam batidas, nem bola para elas…

O tal cidadão me contou que teve um problema neurológico sério, um tipo de AVC. Está internado há vários dias. Mas o que ele me contou e que me fez pensar – e quero que você também pense – foi que ele anda parado, preso no quarto do hospital, sem fazer nada senão olhar para as paredes ou eventualmente para a televisão. Parado. Foi isso o que ele enfatizou, acrescentando que parece mesmo uma heresia, justamente ele que vivia correndo, sem tempo para nada, olhando para o relógio, bufando e achando poucas as 24 horas do dia… e agora, ali, parado, olhando para as paredes… Foi mais ou menos isso o que ele me disse.

E quantos de nós vivemos assim, sem tempo para nada, correndo, deixando cair coisas, comendo apressadamente, andando às pressas atrás dos ventos do tempo, quantos? Você sabe que esse comportamento caracteriza os inseguros, as pessoas ansiosas, as pessoas medrosas, as pessoas tomadas, enfim, de baixa autoestima? Sim, senhor, sim, senhora. Essas pessoas vivem correndo, achando que o tempo lhes voa, escapa, que têm tanto para fazer, que não vai dar tempo… e correm, correm, correm até… até o AVC ou algo parecido. E aí, de um momento para outro, não correm mais, estão numa cama de hospital, olhando para as paredes e sem poder olhar para o relógio… Para que relógio se elas não têm o que fazer senão esperar pela cura ou pelo milagre? O ser humano é assim, perdido existencial. O diacho é só se dar conta disso na horizontal… Na cama de um hospital.

Pressa

Volta e meio saio derrubando tudo que me está pela frente, estou atrasado, ou acho que estarei, para um compromisso. Corro, suo, olho para o relógio e nada, parece que não saio do lugar… Quando me dou conta de que não vou chegar no horário, relaxo. E passo a fazer tudo com calma, respirando fundo, numa boa… e parto para o tal compromisso. Pois não é que cheguei no horário. Coisa típica dos estúpidos do tempo, dos ansiosos, dos inseguros. E quanto e quantos assim?

Falta dizer

Não ter nada para fazer, nenhum “compromisso”, é a felicidade de uma criança. E o inferno de um velho. Cuidemo-nos desse desejo idiota do nada fazer, da aposentadoria para sempre. Ela mata, mais cedo.