Parece que o tempo passa, talvez passe, no relógio. Não entre nós, brasileiros. Antes de dizer da nossa conversa de hoje, convém repetir que... O ser humano se repete, na estupidez, dia após dia. E
não me venha alguém dizer que todos os dias temos novidades, que a ciência todos os dias nos agracia com novidades, com descobertas... Não é disso que falo, falo da estupidez humana de se repetir nos mesmos processos mentais, nas mesmas tolices que conduzem ao sofrimento. Veja se tem cabimento... Ouça esta – de um jornal carioca, ouça bem – “As crises econômica e política
estão levando os executivos brasileiros à beira de um novo ataque de nervos.

E o pior, à beira de um ataque cardíaco... O dr. (nome do médico do Hospital Carlos Chagas, Rio de Janeiro)... tem constatado que os sintomas do estresse, um dos principais componentes dos distúrbios cardíacos, têm aumentado sensivelmente entre os executivos do país. (...) Uma das maiores causas desses índices alarmantes (foram citados os números) é o estresse...”. Em resumo essa a notícia, certo? Só que essa notícia (dos meus arquivos) é de 2 de agosto de 1992, tem 25 anos. Vinte e cinco anos e os problemas continuam os mesmos, crise política e crise econômica. Povo infeliz, povo estonteado, povo mentalmente pobre, povo que merece a sorte que planta todos os dias...

Agora ouça esta manchete do fim de semana passado: - “Empresas adotam técnicas de meditação contra o estresse”. Vinte e cinco anos depois daquela reportagem citada, nada mudou entre nós. Será que são a economia e a política, em si mesmas, que criam os problemas? Claro que não, quem cria problemas são as pessoas, as eticamente pútridas, as impunes, as que são julgadas por pessoas que deviam elas mesmas serem julgadas e... duramente “executadas”, punidas.

Nos corredores das empresas o que mais há é gente neurótica, trazendo problemas de casa e levando problemas para casa. O que mais se vê nos pátios dos colégios são jovens desnorteados existencialmente, jovens órfãos de pais vivos, jovens cujos “pais” são os celulares na palma da mão. Como esperar dias melhores se os velhos estão perdidos e os jovens sem futuro? Mas sabes quando tudo isso começou? Quando aquelas caravelas asquerosas de Cabral vieram dar com as costas por aqui. Foi ali que tudo começou. Com degenerados.

Pais
Fiz Psicologia e como jornalista volta e meia ouço pais me dizerem que fizeram de tudo pelo bem dos filhos mas não deu certo, eles se perderam. Perfeitamente possível, afinal, o ser humano não é equação matemática, há tendências incontroláveis dentro de certas pessoas, você as quer levar ao céu, mas elas preferem as labaredas do demônio. Lavem-se as mãos, infelizmente.

Falta dizer

E também é verdade que há crianças criadas nos lixos da vida, que crescem para o bem, estudam, que se comportam, que formam famílias e dão exemplos para a eternidade humana. Graças ao Senhor, a pobreza não é condenação a nada de ruim.