Vamos imaginar uma situação, uma situação para mim, para você, para ele, para ela ali na esquina, para qualquer um... Começo por mim. Levanto pela manhã, vou ao banheiro e me olho no espelho: - Que horror, como sou feio! Ou, melhorando um pouco a frase: - Que horror, como “estou” feio. E dito isto, a pessoa se olha de cima abaixo, e se reprova. Muito comum, é ou não é?

Pois é, mas por feios que sejamos, podemos nos tornar alguém bem interessante... E quem é interessante não deixa de ser bonito, bonita... Aliás, dia destes fui a uma festa “daquelas”, chiquérrima, longos vestidos e inesquecíveis perfumes... Um entra e sai intenso. Eu olhava a todos e não via ninguém, ninguém que me chamasse especial atenção, mulheres bem-vestidas, sim, bonitas, sim, mas... uma “multidão”, não mais e até então.

Lá pelas tantas, a festa foi interrompida e anunciado um show especial, um grupo entraria em cena com seu talento de teatro... Todos com fantasias e maquiagens pesadas, não se podia identificar quem ali estava, debaixo das fantasias. Ocorre que tão pronto o grupo entrou em ação no meio da grande sala da festa, encantei-me por uma das artistas, fiquei zonzo por ela... E depois descobri que era uma das tantas e tantas convidadas por quem eu tinha passado e visto muitas vezes na festa.

A fantasia dela, a arte dela, a interpretação dela, ela, enfim, me havia derrubado de encantos... Tudo porque ela mostrara uma beleza que eu não tinha visto até então. E era aqui que eu queria chegar. Podemos ser “horrorosos” para nós mesmos diante do espelho do banheiro, mas de igual modo podemos nos transformar em alguém muito, muito bonito ou bonita, desde que tenhamos uma especial beleza, uma beleza que num primeiro momento não apareça diante dos olhos dos outros.

Aliás, sempre mantive na memória uma frase que “ouvi” de Alfred Adler, a quem muito estudei quando fiz Psicologia. Adler dizia que – “Sentimentos de inferioridade não são, em si, anormais. São a causa de todo progresso da espécie humana”. Seja qual for o talento que aperfeiçoemos, a arte que desenvolvamos, a língua estrangeira que falemos (bem), seja, enfim, o predicado que agreguemos à nossa imagem, esse predicado, com certeza, nos impedirá de nos vermos feios no espelho do banheiro. Todos podemos, todos. E, olhe, estou louco da vida para reencontrar aquele grupo de artistas, e “ela” especialmente...

Eles

Os turistas argentinos que vêm para Santa Catarina são os combalidos do bolso e, por maioria, combalidos da vida. Dia destes, dois argentinos numa loja de artigos esportivos em Florianópolis conversavam alto entre si e um deles dizia que Messi é craque e que Neymar “es una mierda”. Quanto a Neymar, concordo em 100%, de fato, “una mierda”, mas... Só nós brasileiros podemos dizer isso, um vagabundo argentino não. Daqui a pouco ele pode levar um “caciete”...

Falta dizer

Palavras são tanto entorpecentes quanto estimulantes. Tudo vai depender do positivo e do negativo em sua linguagem diária. Posso, não posso, tenho jeito, não tenho jeito... Seja o que for que for muito repetido, assim será a vida da pessoa. A maioria vive no poço do negativo e disso não se dá conta. Semeiam? Colham.