Quero chegar lá adiante, mas antes, como quase sempre, preciso dar umas voltas. Vamos a elas. Claro que muita gente não acredita, claro que não. Aliás, quanto mais tosca a cabeça mais ela vai relutar em aceitar uma verdade que para ela se afigura como uma baita bobagem. Do que falo? Da origem de muitas de nossas doenças e das lesões no futebol.

Nossas enfermidades na vida costumam ser de nossa decisão, decisão inconsciente, afinal, ninguém é louco para saudavelmente desejar uma doença. O problema é que nós somos 98% o nosso inconsciente. O que fazemos pensando que é decisão bem calcada, consciente, saudável, mais das vezes é uma incitação, uma decisão do inconsciente... É difícil pôr isso numa cabeça tosta.

E se é verdade que criamos as nossas doenças, e por razões mais das vezes muito sombrias, também podemos curá-las. Bah, quantas vezes já disse isso aqui... Mas hoje quero abrir um pouco mais o leque...

Durante 25 anos fui narrador de futebol, viajei muito e convivi com jogadores de todos os tipos, credos e talentos. Conheci de “pernas-de-pau” a majestades como Pelé, com quem tenho uma foto com ele aos seus 20 anos... Dessa minha experiência no futebol, resultou-me um belo aprofundamento nos conhecimentos da chamada psicologia humana... Descobri, por exemplo, que os jogadores guerreiros, bravos, decididos, se contundem menos, vão menos ao departamento médico, ficam menos tempo fora de suas equipes por lesão... Já os “pipoqueiros” (linguagem do futebol para os frouxos) vivem se contundindo e fora da equipe, e o especial é que essas lesões costumam aparecer dias antes de uma importante decisão ou cartada de suas equipes. Quer dizer, “inconscientemente” o sujeito cria uma lesão – e fisicamente ela é visível nas radiografias, e com essa lesão fica fora dos jogos decisivos e quando ele seria muito cobrado. É um mecanismo humano, não há dolo, não há dolo consciente, mas inconscientemente...

E nós, aqui fora do campo fazemos o mesmo. Nossas razões são as mais diversas, sempre, é claro, de ordem inconsciente. Medos, sentimentos de culpa, sentimentos de menos valia, ódios, razões de toda sorte nos empurraram para um impedimento social ou para o “pagamento” de uma conta que achamos que estamos a dever. Tudo inconsciente. E no futebol, os “craques” de capa de jornal sempre que podem fugir a um teste de maior impacto bem que podem buscar refúgio numa lesão autoprovocada inconscientemente... “Espertalhões”. E com isso ficam fora de jogos que os podiam “derrubar” como craques de capa de jornal... E os torcedores otários, quase todos, a dizer: Ah, que pena! Otários.

Homens

Conheci o Telê Santana, nome histórico do futebol brasileiro como jogador e treinador. Um dia, numa entrevista, perguntaram ao Telê como se forma um grande time. Ele respondeu sem piscar: “Escolhendo primeiro Homens, e depois bons jogadores”. Hoje a escolha se assenta sobre “craques” fajutos, jogadores de capa de jornal, mutreteiros, não raras vezes a fazer contratos escusos e a aparecer toda hora na imprensa como grandes namoradores. Safados. “Pipoqueiros”...

Falta dizer

Preste atenção nas pessoas que dizem deprimidas ou em depressão. São todas elas pessoas costumeiramente pessimistas. Impossível a depressão com pessoas “pra cima”. Otimistas veem saídas e não trancas...