Vou falar de outra coisa, mas antes, de hábito, preciso dar umas voltas, sem elas o horizonte da nossa conversa pode ficar escuro, melhor é clareá-lo. Vamos lá.

A sabedoria popular é a única sabedoria, ela consegue em poucas palavras dizer o que intelectuais não conseguem falando a tarde inteira... Há, por exemplo, entre nós um ditado incontestável, seis palavrinhas: - “Tudo o que é demais enjoa”. Conteste, quero ver. Sexo em demasia enjoa... não enjoasse, os casais morreriam de velhos esfregando as mãos... E assim com tudo. Vamos à prática.

Vamos imaginar que a sua sobremesa favorita seja morango com chantili. Então, que tal comer morango com chantili todos os dias, só morango com chantili, hein? Seria um horror, uma semana depois, você estaria vomitando só de pensar. A vida é assim com tudo, enjoamos até de dinheiro... se for muito, muito, muito...

O que quero dizer – e este é o assunto de hoje, é que não dá mais para aguentar o palavrão desmedido que ouvimos a toda hora, em todos os canais, sob todos os pretextos e a revelar falta de postura, de educação. Alguns estúpidos vivem dizendo que respeitam a família, que visam à educação das crianças, isto e aquilo, mas... em todos os programas lá vem um idiota, novo ou velho, a dizer palavrões, a fazer uso de expressões que descem o nível de quem já não o tem e da própria emissora.

- Ah, Prates, mas as pessoas falam assim, isso é natural, qual o problema? O problema é que a palavra revela, o palavrão condena e as crianças seguem os exemplos. Digo nos meus cursos de oratória, ou nas palestras quando falo de comunicação humana, que o palavrão tem hora. Um sujeito está batendo num prego, erra e bate no dedão... Você não vai esperar que ele assopre o dedo doído e diga – Ah, hoje estou sem sorte! Claro que não, ele vai “aliviar” a dor com um palavrão. Mas fazer uso desse palavrão em novelas, em humorísticos, em entrevistas, em tudo, na televisão, francamente, que falta de Homem nas diretorias dessas empresas...

No meu tempo de criança, quando um guri dizia uma palavra qualquer fora da decência, o pai rugia lá num canto: - “Se disser de novo leva um tapa nos beiços”! E o guri murchava. Desliguemos a tevê, troquemos de canal ou olhemo-nos no espelho: Eu não sou um boca suja? Se for, credo, que... (não posso dizer aqui...).

Desonestos 

Não tem cabimento que 83% dos catarinenses dispensados do trabalho por “licenças-médicas” não tenham qualquer impedimento de saúde para estarem fora do trabalho. São desonestos. Não é um atestado médico que dá consistência às faltas ao trabalho, mas a consciência, a conduta moral da pessoa. Quantos vagabundos, hoje, se valem de uma licença-médica tão fajuta quanto à qualidade profissional de que os dispensaram?

Falta dizer 

A manchete é a cara “deles”: - “21% dizem que exame de toque retal (próstata) não é coisa de homem”. Eu quero ver eles dizerem isso quando a vida lhes enfiar um dedo... Será tarde e dirão: - Como fui estúpido! Acordem, machos de aparência!