Já ouvi várias vezes pessoas dizendo que imitação é moeda falsa, que você não pode, não deve imitar ninguém, você tem que ser você e ponto final... Discordo. Todos nós nascemos com a “lousa” da personalidade limpa, sem borrões, nascemos perdidos no tempo e no espaço, vamos precisar de pessoas por perto, pessoas que nos apontem os bons caminhos da vida. Foi dessa primeira e decisiva fase da nossa vida que nasceu na psicologia o chamado “período de molde”, período que nos vai definir os encaminhamentos morais e da plena personalidade. Esse período vai dos 5 ou 6 anos de idade. A partir daí todos nós já estamos bem encaminhados ou somos casos perdidos. Tudo pela força do tal “período de molde” gerado pelos que nos cercaram do nascimento até os 5 ou 6 anos, o mais tardar.

Muitos engrossam a voz diante dos imitadores. Ocorre que nos nossos primeiros anos de vida andamos em círculos, perdidos, precisamos de bússolas existenciais, vem daí a importância de termos perto de nós tipos que nos motivem e nos levem a desejar ser parecidos com eles. Surge aí, e nesses casos, o ímpeto pela imitação, pelo desejarmos ser parecidos com as pessoas que nos agradam. E sabes qual é a pior das imitações? A imitação de nós mesmos, de sermos nós mesmos nos olhando o tempo todo no espelho da burrice.

Minha motivação para o jornalismo começou pelo rádio, ouvindo jogos do Internacional e da Copa do Mundo. Dos narradores esportivos que me cruzavam pelos tímpanos, um deles me motivou. Comecei a fazer testes para o rádio aos 15 anos; aos 17 era profissional com carteira assinada, e sempre imitando o meu narrador favorito, não lhe dou o nome porque vou dizer que o imitei até o ponto de me ombrear com ele. Mas isso não me bastava, queria ultrapassá-lo, acho que consegui. Será? Ficou, todavia, e para sempre, o estilo, a narração nervosa, dramática, mas tudo dentro das minhas até então adormecias tendências.

Nossas imitações costumam ser sobre pessoas que de um modo ou de outro se confundem com o nosso eu mais profundo... É como se nos descobríssemos por meio de outra pessoa. Precisamos de pais, de professores, de autoridades, de gente de todas as áreas que nos impressionem pelo bem, pelo estilo, pelo caráter, sem isso, pobres de nós, vamos passar pela vida na pior das imitações: a de nós mesmos.

TEMPOS

Hoje o que você mais vê são jovens imitando “marginais”, cantores sem talento, gentinha, gentinha imitando gentinha. E será que não há mais professores, gentes de todas as artes, não digo da política, que não mereçam admiração e imitações? Muito difícil. A coisa está de mal a pior. Nem entre os pais está fácil achar alguém que valha a pena, haja vista o comportamento das crianças e dos jovens que andam por aí. Crise total. Ah, é bom lembrar que imitação deve ser como bengala, usa-se por um tempo e depois... somos nós mesmos.

ELAS

Dizia Oscar Wilde, o escritor irlandês, século passado, que – “Londres está cheia de mulheres que confiam nos maridos. É fácil reconhece-las, de tão infeliz que é o olhar delas”. Wilde, ah, se tu soubesses do Brasil de hoje, de como anda o olhar das mulheres casadas... Bah, coitadinhas, nem colírio ajuda... Elas sabem e fingem que não sabem...

FALTA DIZER

Você é pobre, idoso e precisa dos recursos da Saúde Pública? Fique calmo, todos os problemas da área da saúde vão ser resolvidos no ano que vem, nas promessas dos canalhas aos diversos governos. Espere e confirme.